Posts from — September 2008
A imaginação criadora
Citação do livro Yôga e Consciência, de Antôno Renato Henriques.
Li este livro há mais de três anos, ao mesmo tempo que conheci e comecei a ler o Yôga Sútra de Pátáñjali.
Me chamou a atenção principalmente o trecho que compartilharei a seguir.
Não foi uma, nem duas vezes, que algumas das frases do trecho abaixo me vieram á memória enquanto pensava a repeito da riqueza da tradição cultural milenar que é o Yôga.
Espero que goste!
Todos nós sabemos que o homem é o que é graças a sua grande imaginação. O que alguém é capaz de imaginar, outro alguém é capaz de realizar. E o ser humano privou sempre por imaginar além de sua presente circunstância. Toda a transcendência criativa humana se deu devido à imaginação. Imaginar não é propriamente criar o inexistente, é transformar o real, transmutar o velho em novo. Sempre o velho apareceu na História associado à razão e a estruturas fixas, quer mentais ou sociais, enquanto que o novo apareceu sempre vinculado à ousadia da mudança, à loucura de imaginar uma possibilidade outra, uma estrutura ou perspectiva diferente. E, muitas vezes, por medo da loucura afogamos nossa imaginação no respeito às tradições e aos valores estabelecidos. É claro que não podemos jogar o passado pela janela, assim como não podemos arrancar nossas raízes e continuarmos crescendo.
Mas a preservação do velho não quer dizer deixar de buscar o alto e não ouvir o que de novo nos traz o vento. Obviamente necessitamos de espíritos criativos, capazes de imaginarem saídas outras para os problemas crônicos de nossa civilização ocidental, capazes de repensarem as ideologias hoje existentes, recriando-as em função de um novo ideal de humanidade. É claro que carecemos em nossas vidas particulares de mais imaginação e criatividade, ainda mais neste século da cultura de massa, do trabalho especializado e rotineiro, onde estamos proibidos de inventar. Carecemos de inventar o novo mesmo nas nossas filosofias, já tão desgastadas em seus pontos de vista, que não conseguiram fazer-nos melhores ou fazer melhor o mundo em que vivemos. Porém, quando tentamos extrair o novo do velho, no caso a bem velha filosofia do Yôga, deparamos com um problema deveras difícil: como conciliar uma consciência contemplativa, que apenas testemunha, sendo, portanto, passiva, com uma capacidade ativa de criar e imaginar?A criação artística é fruto de um desejo de expressão que implica necessáriamente um trabalho do ser que cria, trabalho este emocional, físico e mental. Estas três dimensões do ser humano pertencem à Prakriti (matéria) e não ao Púrusha (espírito)*. Contudo, o ato de criar é um novo modo de o homem experimentar a Prakriti e também uma maneira nova de a Prakriti relacionar-se ao Púrusha. A arte em geral é a expressão de um mistério subjacente à exterioridade do mundo. E tal realidade oculta, dificilmente expressa, surge da “luz” do Púrusha refletida na percepção das coisas.
Quando um pintor, um músico ou um poeta “cantam” os encantos da natureza ou simplesmente criam puras abstrações, o fazem a partir de uma especial percepção (que nós chamamos de artística, e que em verdade é uma percepção direta, mais uma intuição) do informe oculto em todas as formas.
Ou seja, o artista é um yôgin irrealizado, é aquele que teve o vislumbre da verdade e da sublime beleza e captou-as na aparência do mundo, como quem descobre o cosmos estrelado refletido nas águas de um poço. O artista equivale a um pássaro que tenta contar aos animais terrestres o que é o voar e como se vê a terra do alto.
Durante o vôo o ego do artista afrouxa seus elos com o mundo, ele consegue contemplá-lo como aquela consciência que apenas vê, desde o seu Púsusha.E pela visão do Púrusha o artista se une à terra, não mais como um seu produto, mas como aquele que a domina desde o seu âmago, pelo poder natural de transformá-la pelo seu olhar.
Aos olhos do Púrusha o mundo se transfigura. O artista equivale ao discípulo, é aquele que vislumbra e volta, atinge mas não se estabelece. E ao retornar, se torna aquele que fala: ao mundo, do céu; ao velho, do novo; ao tempo, do eterno; ao homem de deus.Quando um artista cria, na verdade recria da matéria inerte uma nova dinâmica, da letra morta o espírito vivo de um outro sentido. A criação artística contém em seu bojo a dialética da realidade aparente, em que se fusionam razão e imaginação, sonho e vigília. Só que aqui não é o sonho que perdura no estado desperto com seu clima de alma, seja alegre, triste ou de desconforto. É o contrário, o artista é mais que aquele que desperta mas não de todo, é aquele que acorda mas volta a dormir, e passa a incluir em seus sonhos certas visões do despertar, não de todo consumado. Daí que, se o artista é um yôgin irrealizado, o yôgin pode ser o artista que se superou.
O artista é, de certa forma, aquele que percebeu o palco, e que, mesmo estando em cima dele, consegue existir acima e além do espetáculo. E mais, sendo aquele que “intuiu” a realidade do espetáculo, consegue improvisar em cena, recriando o enredo, transformando os “climas”, mudando um drama em comédia, uma tragédia em opereta, até que alguém baixe o pano e os atores desvistam seus personagens.
A arte é um ato de ser e de expressão. O ser apenas é e a expressão não se explica, ela penetra pelos nossos sentidos sem pedir licença. A arte é um ato de amor e paixão. O amor e a paixão não podem ser totalmente entendidos, eles não são racionais. Mas arte também é um ato psíquico, mental; supõe, pois, idéias. Porém, não é um ato de puro intelecto, porque o coração a contamina. Tampouco a arte conceitua, suas idéias são imagens. E cada imagem é um mundo e uma emoção. Ou seja a arte é um horizonte de possibilidades, ressonâncias e interpretações. E o fruto de todo o ato artístico de amor deve ser comunicado ao mundo, deve se lhe dar a luz, pois a arte é, em nossos profundos abismos, a possibilidade de um cume.
O mais importante em relação à imaginação criadora, justificando estas linhas, é que Pátáñjali considera a imaginação um vritti, portanto algo negativo em si, passível de ser suprimido para que ocorra o samádhi. O yôgin realizado seria, em consequência de tal assertiva, um homem sem imaginação alguma, e mais, seria alguém que não pensa. Poderia tal ser existir? Esta seria uma conclusão apressada, teríamos antes de analisar o pensar e o imaginar a que Pátáñjali se refere. Como veremos mais adiante, quando estudarmos o problema do conhecimento, o pensar que inexiste no êxtase é o que implica a dicotomia entre sujeito e objeto. Mas concebe o Yôga a permanência da consciência mesmo em uma mente sem objeto. Na verdade uma mente sem objeto não pensa e, portanto, não existe, se concebemos mente como uma atividade pensante. Porém permanece um sujeito transcendental, não mais o eu-empírico com seus conteúdos psíquicos introjetados no exterior, mas um ser consciente que puramente vê.
Em relação à imaginação temos uma concepçao diferente. Como já explicamos a imagem é criada pela consciência, não é um mero reflexo ou cópia do objeto, equivale ao ato de recriar o percebido. A imagem pode ter referenciais concretos, mas em si mesma ela é um nada. Porém, podemos transmitir este nada, comunicá-lo como arte, ou seja, ele “funciona”, atua como algo. Isto nos leva à constatação de que a imaginação é algo que, apesar de não concreto, atua sobre o concreto através da criação artística, captável pelos sentidos, porque materializada em obra. E apesar de não concreta só há imaginação a partir de um mundo percebido e/ou lembrado. Diremos nós que a imaginação é como que o reverso da percepção, pois a primeira só existe onde existe a segunda. E imaginar é recriar percepções dando-lhes um outro sentido. Pátáñjali diz que nos estados avançados de Yôga, desaparecem juntas a percepção e a imaginação, permanecendo o sentido. Isto significa que, apesar de mais subjetiva que a percepção, a imaginação ainda é um “reflexo”, apesar de distante e distinto, das coisas concretas, portanto é Prakriti. Significa também que a imaginação criadora é uma ação do sujeito empírico e não do Eu transcendental.
Apesar disto, tomada no nível de consciência humana comum, a imaginação é um avanço, porque equivale a uma ida do exterior para o interior. Resta desde o interior ascendermos para uma realidade suprapessoal, onde criar não é mais um ato subjetivo, mas a expressão de uma vontade, e uma consciência cósmica.
O Púrusha não criou a Prakriti, assim como Íshwara não criou o mundo, mas não por impotência ou carência de criatividade. O Púrusha do Yôga pode criar, mais do que o próprio artista, já que os siddhis (poderes paranormais) que o Yôga desenvolve nele ampliam suas capacidades, como o poder de manipular a matéria e materializar idéias. Porém o yôgin evita manipular a matéria poe uma submissão consciente e voluntária à natureza .
Devido ao desapego e a todos os avanços de seu ser, ele vive sem carências, satisfeito com um mínimo que a natureza jamais lhe nega, porque se subordina à sua vontade cósmica.
Em outras palavras, o que o yôgin cria não é públicamente exposto, porque em verdade sua principal obra é sua vida, seu ser e a transformação que opera no ser dos seus discípulos.
28/9/2008 2 comentários
Tapas: esforce-se! Mas sem forçar…
Tapas é um dos preceitos éticos do Yôga, um dos yamas e niyamas, sobre os quais já falei anteriormente.
É importante ser destacado, pois é o preceito que, de certa forma, dá base de sustentação para todos os demais.
Tapas é a observância da auto-superação. É um esforço constante sobre si mesmo. Trabalhado para que se torne um hábito.
Deve ser treinado no sentido mais abrangente possível, como um aprimoramento realizado a todo o tempo, em todas as áreas que se mostrarem passíveis de serem melhoradas.
De acordo com o Tratado de Yôga:
- A oitava norma ética do Yôga é tapas, auto-superação.
- O yôgin deve observar constante esforço sobre si mesmo em todos os momentos.
- Esse esforço de auto-superação consiste numa atenção constante no sentido de fazer-se melhor a cada dia e aplica-se a todas as circunstâncias.
- O cultivo da humildade e o da polidez constituem demonstração de tapas.
- Manter a disciplina da prática diária de Yôga é uma manifestação desta norma. Preservar-se de uma alimentação incompatível com o Yôga faz parte do tapas.
- Conter o impulso de expressar comentários maldosos sobre terceiros também é compreendido como correta interpretação desta observância.
- A seriedade de não mesclar com o Yôga sistemas, artes ou filosofias que o conhecimento do seu Mestre desaconselhar, é tapas.
- A austeridades de manter fidelidade e lealdade ao seu Mestre constitui a mais nobre expressão de tapas.
- Tapas é, ainda, a disciplina que respalda o cumprimento das demais normas éticas.
Preceito Moderador:
A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de mortificação.
(Tratado de Yôga, DeRose, Nobel, 1ªed, pg. 801)
A frase que usei no título: esforce-se, mas sem forçar, é na realidade uma regra geral do método, utilizada na execução das técnicas corporais.
No entanto, achei por bem utilizá-la de forma mais abrangente, já que tem perfeita afinidade com a vivência de tapas regrada pelo seu preceito moderador.
Leia mais uma vez:
A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de mortificação.
Seja em qual for o sentido do seu esforço, jamais se agrida, jamais se machuque.
Seja a superação de ordem física, emocional ou mental, não force o progresso.
O SwáSthya Yôga tem como raiz comportamental o Tantra.
Isso quer dizer que o tipo de Yôga que praticamos valoriza a desrepressão e o prazer.
A atitude de machucar-se para conseguir evolução chocar-se-ia com os fundamentos desta filosofia.
Para obter sucesso ao aplicar a vivência de tapas comece com coisas simples.
No treinamento de ásanas, por exemplo: utilize a regra de 1 segundo por dia, mas faça o treinamento todos os dias.
A superação não será o 1 segundo a mais e sim a disciplina de fazer todos os dias e apenas mais um segundo, mesmo podendo mais…
Em kriyá, no caso do nauli, uma única contração a mais por prática, mas em todas as práticas uma a mais.
Sem dizer a aplicação de tapas na observação de simples comportamentos, com o objetivo de modificá-los: habituando-se por exemplo a sorrir imediatamente ao acordar.
Você estará gerando um hábito positivo que irá influenciar os pensamentos que surgirem a seguir… simples assim, mas com constância.
A sensação de progredir, sem falhar, em uma coisa simples que seja, irá motivar o progresso, querendo sempre mais.
Esse sucesso irá permitir vivências um pouco mais desafiadoras.
E, estas, sendo também bem sucedidas, possibilitarão vivências mais e mais desafiadoras.
Tendo sucesso, em uma etapa por vez , progressivamente, inevitavelmente sentirá que será capaz de atingir vivências mais relevantes de comportamento.
No entanto, tapas não será feito pelos resultados das ações que gera, mas pelo simples reforço do caráter, pela auto-superação em si.
Uma vivência bem sucedida após a outra, sem qualquer tipo de agressão já motivará a incorporação de tapas como hábito, pelo prazer de se desenvolver apenas.
E porque isso é bom… porque dá prazer…
27/9/2008 2 comentários
Bruschettas com Pomodori
Pão com alho e tomate
Para fazer a versão romana desta entrada, elimine a pasta de tomate: apenas toste as fatias de pão, de preferência na brasa, e pincele-as com uma mistura de azeite e alho.
A bruschetta também pode ser servida como acompanhamento de saladas.

credit: Michael_Spencer
- 6 fatias de pão italiano crocante, cortadas ao meio
- 1 dente de alho grande esmagado
- 4 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
- 6 rodelas grossas e firmes de tomate maduro, sem pele nem sementes, picadas.
- Sal e pimenta do reino
- ¼ de xícara de chá de folhas frescas de manjericão, picadas.
- 1 colher de sopa de vinagre aromatizado ou a gosto.
Coloque as fatias de pão em uma assadeira e doure-as, no forno pré-aquecido, de ambos os lados, até ficarem ligeiramente torradas.
Numa tigela pequena, misture bem o alho com 3 colheres de sopa de azeite de oliva e passe essa pasta num dos lados de cada fatia de pão.
Em fogo médio, esquente numa frigideira o azeite restante, junte o tomate o sal e a pimenta-do-reino e refogue por 1 ou 2 minou até amolecer o tomate. Acrescente o manjericão e o vinagre.
Passe a pasta obtida nas fatias de pão torradas.
rende 6 porções
(O melhor da Itália, receitas escolhidas, R,Evie, Ed.Maltese, pg.13)
27/9/2008 Sem comentários
Ética na tradição do Yôga

credit: yaboulnaja
Existe, como parte do SwáSthya Yôga, o chamado Código de Ética do Yôgin: os yamas e niyamas.
Os yamas e niyamas são um tradicional conjunto de normas éticas: um código comportamental observado há milênios e citado nas mais antigas escrituras da tradição hindu.
São regras de ordem proscritiva e prescritiva que auxiliam o yôgin na sua evolução.
Elas são responsáveis por gerar uma base comportamental forte, que dará sustento a todo o progresso do yôgin, seja ele de aspecto físico, energético, emocional, mental ou intuicional…
Os yamas e niyamas são dez no total.
5 regras são proscritivas, baseadas no não fazer – yamas
- ahimsa: a não-agressão
- satya: a verdade
- astêya: não roubar
- brahmácharya: a não dissipação da sexualidade
- aparigraha: a não-possessividade
5 regras são prescritivas, baseadas no fazer – niyamas.
- sauchan:a limpeza
- santôsha: o contentamento
- tapas: a auto-superação
- swádhyáya: o auto-estudo
- íshwara pranidhána: a auto-entrega
Falarei da forma mais prática e aplicável possível a respeito de cada uma delas, nas próximas postagens.
27/9/2008 8 comentários
Características do SwáSthya: Sentimento Gregário
O sentimento gregário é a força de coesão que nos fez crescer e tornar-nos tão fortes. Sentimento gregário é a energia que nos mobiliza para participar de todos os cursos, eventos, reuniões, viagens e festas do SwáSthya Yôga, pois isso nos dá prazer. Sentimento gregário é o sentimento de gratidão que eclode no nosso peito pelo privilégio de estar juntos e participando de tudo ao lado de pessoas tão especiais. É o poder invisível que nos confere sucesso em tudo o que fizermos, graças ao apoio que os colegas nos ofertam com a maior boa vontade. Sentimento gregário é a satisfação incontida com a qual compartilhamos nossas descobertas e dicas para o aprimoramento técnico, pedagógico, filosófico, ético, etc. Sentimento gregário é o que induz cada um de nós a perceber, bem no âmago da nossa alma, que fazer tudo isso não é uma obrigação, mas uma satisfação.
(DeRose, Yôga a Sério, Uni-Yôga, 41)
22/9/2008 2 comentários
Receita Biológica: Risoto de Abacaxi e Ervas Provençais
Como já indiquei anteriormente o Yôga engloba muito mais do que apenas a prática.
Abordarei aqui um aspecto da Cultura do Yôga Pré-Clássico digamos, muito prazeroso.
Falarei do sistema alimentar que faz parte do SwáSthya Yôga:
“Para a prática do Yôga, o melhor sistema alimentar é o lacto-vegetarianismo. É o que vem sendo utilizado tradicionalmente na Índia há milênios.” (DeRose, Tratado de Yôga, Nobel, 765)
Já de forma prática, indico uma receita:
Risoto de abacaxi e ervas
- 1 (sopa) de ervas da Provença desidratadas (ou salsinha desidratada)
- 2 (sopa) de azeite de oliva
- ½ (chá) de arroz arbóreo
- 1 cebola média picada em pedaços pequenos
- 1 abacaxi grande
- sal a gosto
Descascar o abacaxi, separar 4 fatias de 1,5 cm de espessura cada uma e reservar.
Picar o restante em pedaços pequenos eliminando o talo central. Reservar.
Levar ao fogo uma panela com 1 xícara (chá) de água até ferver. Manter aquecida.
Em outra panela, refogar a cebola na metade do azeite de oliva.
Acrescentar o arroz e o sal e refogar, sem parar de mexer, por 4 minutos, ou até os grãos ficarem brilhantes.
Misturar o abacaxi picado e as ervas.
Adicionar, aos poucos (1 concha de cada vez), a água fervente e cozinhar, sem parar de mexer, por 25 minutos, ou até o arroz ficar al dente.
Raspar o fundo e as laterais da panela, acertar o sal e retirar do fogo.
Tampar a panela e servir depois de 3 minutos.
Enquanto isso, aquecer o azeite de oliva restante numa frigideira grande.
Colocar as fatias de abacaxi reservadas e grelhar até dourar dos dois lados.
Retirar do fogo, distribuir as fatias de abacaxi nos pratos e colocar por cima o risoto.
Decorar com cebolinha francesa ou nirá (cebolinha japonesa) e polvilhar com as ervas da provença.
Observe:
Esta é uma receita que não leva nem um tipo de carne, não deixa por isso de ser saborosa e nutritiva.
É uma receita compatível com a prática do Yôga e de forma alguma pode ser enquadrada como naturéba.
Bem pelo contrário da idéia naturéba que ás vezes é associada ao vegetarianismo, este é um prato inclusive refinado.
De forma até mesmo engraçada, cito mais uma vez DeRose.
Isso para mostrar o absurdo, que para nós que usamos este tipo de alimentação, são as associações feitas não raramente com o vegetarianismo e que na realidade não passam de desinformação.
Vamos parar com isso, comida ruim não é vegetarianismo: é ignorância. Vamos parar com a mania de fazer comida ruim e marrom só para dizer que é saudável. Vou repetir aqui, pois parece que ninguém escuta: comida vegetariana não tem nada a ver com tofu, algas, shoyu, missô. Nem mesmo com açucar mascavo ou cereal integral. É claro que o cereal integral é melhor que o refinado. Mas isso não tem nada a ver com comer carne ou não. As pessoas tendem a misturar as coisas. É uma pena. (DeRose, Tratado de Yôga, Nobel, 766)
22/9/2008 2 comentários
Pújá – Uma Prática Universal
Dentre os inúmeros aspectos possíveis de serem trabalhados em uma prática de Yôga existe um que me agrada especialmente.
O nome desta técnica que considero especial é pújá.
Pújá é o que chamamos na prática de retribuição ética de energia.
Basicamente, é a atitude de agradecer antes de receber.
Por definição:
Pújá é um comportamento universal de gratidão, reverência e lealdade que manifesta-se através de pensamentos, palavras, gestos e obras. (Santos, S, A força da Gratidão (Pújá), Nobel)
Este agradecimento prévio encontra-se presente não só no Yôga, mas em outras atividades, principalmente aquelas vindas do oriente como é o caso, por exemplo, de algumas artes marciais.
No Aikido, de raízes japonesas, por exemplo, existem as reverências prévias, desta forma:
Na entrada do dojo: Ao entrar ou sair da sala ou área de prática, você para, junta os pés e faz uma reverência em direção ao local de prática.
Isso pode ser entendido como uma prece ao dojo onde você irá praticar bem e com energia, mas também, mais mundanamente falando, como uma questão de bom senso.
Ao fazer uma parada antes de entrar na área de prática o praticante atento impede que qualquer desavisado o atinja na cabeça por algum objeto afiado.
Reverência ao Shomen: no início e fim de cada aula dirigida ao ponto mais alto da sala, ou em direção a uma fotografia ou texto.
Momento em que o aluno pode refletir sobre a história de sua arte expressando gratidão ao fundador e mestres anteriores.
A reverência ao Shomem também serve para lembrar onde ele fica, assim o praticante saberá como se mover no dojo.
Reverência ao Sensei: reverência formal ao instrutor, que deve ser feita cuidadosamente e com completa atenção.
É a chance de demonstrar gratidão pela paciência e pela habilidade do Sensei.
Demonstra o desejo de aprender e o pedido para receber suas instruções.
Há ainda a reverência ao parceiro.
No caso do Yôga o Pújá é feito nesta ordem:
- Ao local da prática
- Ao instrutor
- Ao Mestre vivo mais antigo da linhagem
- Ao primeiro dos yôgins.
Habitualmente, durante a prática, o pújá é feito através de mentalizações.
O interessante é que aquele que realmente pratica o pújá, predispõe-se à aprendizagem e amplia as fronteiras de sua experiência para assimilar a essência do Yôga, ainda que nada lhe seja ensinado.
De acordo, mais uma vez, com o Mestre Sérgio Santos:
É preciso desenvolver o siddhi do aprendizado, pois a evolução interior depende muito mais do receptor do que do transmissor.
(…)
Pújá também significa identificar-se, sintonizar-se com o Mestre. Isso permite a germinação daquilo que já se encontra no aprendiz. Diz a máxima: todo discípulo leal é um Mestre em potencial. Portanto, o conhecimento é uma fonte inesgotável, diretamente proporcional à receptividade e à gratidão do discípulo.
Referência sobre Aikido: Hikari Dojo-RJ
21/9/2008 4 comentários



