Categoria — comportamento
Que me seja permitido desaprender os limites…
“Não me deixe viver o que posso, que me seja permitido desaprender os limites.”
Carpinejar
6/12/2008 Sem comentários
Steve Jobs em discurso de formatura: “Você tem que encontrar o que você ama”

Veja aqui o vídeo do discurso de Steve Jobs
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.
- A transcrição completa do discurso está no site Você S/A, vale a pena ler!
17/11/2008 2 comentários
Sobre relacionamentos: indicação de blog

O blog não dois, não um pretende tratar com lucidez do tema: relacionamento afetivo.
Quem o escreve é Gustavo Gitti.
Sobre o nome do blog ele explica:
A expressão “não dois, não um” vem dos ensinamentos sobre a não-dualidade, presentes em todas as tradições espirituais da humanidade. Os sábios dizem “não um” para nos lembrar de que a unidade não nega a multiplicidade, que a natureza última do universo não é uma pasta uniforme sem nenhuma individualidade, sem dualidade, sem separação (conceito equivocado de unidade). E dizem “não dois” para que não pensemos que a dualidade exclua a unidade subjacente, para que não nos esqueçamos que a multiplicidade é sempre aparência, manifestação, tessitura onírica. É também uma expressão característica de um caminho além dos extremos de envolvimento cego com os fenômenos, por um lado, e afastamento ascético do mundo, por outro.
A dupla negação ( neti neti) é um recurso comum em discursos espirituais pois, sabendo que a liberdade primordial tudo aceita e não se contrasta com nada, não podemos fazer nenhuma afirmação a seu respeito sem incorrer em equívocos. Assim também um casal de amantes: não dois, não um…
A pergunta central aqui é: como manter a liberdade em meio aos relacionamentos amorosos? Sem negar a sedução, o envolvimento, o sexo e nossas paixões, como treinar um outro tipo de amor mais lúcido? Como fazer das relações íntimas uma prática de sabedoria e compaixão?
No contexto do site, o editor criou uma sequencia de entrevistas com homens que pudessem “sem segredos” compartilhar conhecimentos nesse sentido.
Dois daqueles que se dispuseram apresento aqui: Marco Carvalho e Alessandro Martins.
Leia aqui as entrevistas do Marco e do Ale!
Espero que gostem tanto quanto eu!
17/11/2008 Sem comentários
Será possível unir ao trabalho satisfação, realização e alegria?
Veja abaixo o interessante texto que trata da relação entre vida pessoal, satisfação e trabalho.
Escrito pelo Instrutor Rodrigo De Bona, de SC no site Livre Pensar do Yôga.
Disponibilizo aqui um trecho:
A relação do trabalho com a vida particular é curiosa. A maioria das pessoas trabalha, tem sua vida pessoal, seus momentos de lazer, tudo isso de forma separada, isolando um momento do outro.
– Agora estou trabalhando.
– Agora vou para casa.
– Agora estou me divertindo.
– Agora vou meditar.
– Agora vou transar.
Um modelo de vida que reúna tudo isso, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, é o ideal?
É possível manter uma disciplina, um estilo, uma filosofia de vida, um trabalho, que seja doação, realização, prosperidade, felicidade, diversão, tesão, educação, transformação e evolução em um só tempo, em um só espaço?
É possível. Mas para isso temos duas barreiras imensas.
O paradigma… E o medo.
O paradigma é o modelo vigente, é o que todo o mundo faz e é como sempre foi feito. É “estude, tire boas notas, consiga um emprego seguro, garanta uma boa aposentadoria, case-se, tenha filhos, compre sua casa própria financiada, uma casa na praia, se possível, um carro novo, e passe suas noites e fins de semana bebendo e assistindo à televisão.”
Nesse paradigma, é quase inconcebível unir trabalho e prazer. No final do expediente você vai para casa, ver a novela das oito, e se um colega ou o chefe ligar para falar de trabalho, você diz “agora não, estou de folga”.
O medo, por sua vez, decorre do paradigma. “Se todo o mundo faz assim, eu não vou ser diferente”. “É muito arriscado, não é seguro”. O medo em si não é um problema. O medo é o que nos mantêm vivos e faz com que não ultrapassemos nossos limites, não nos joguemos na frente de um carro em alta velocidade para ouvir o barulho da freada. O problema é o excesso de medo, é o medo prévio, o medo como trava à evolução pessoal, profissional, afetiva… enfim, humana.
Chegamos mesmo ao cúmulo de ter medo de sentir medo!
Todos esses medos impedem que pequenas mudanças sejam implementadas em nossas vidas, e o somatório dessas pequenas mudanças poderia transformar a nossa existência, passando de um estado de miséria existencial para outro de graça biológica.
Pequenas mudanças comportamentais diárias produzem um efeito acumulativo muitas vezes imperceptível para quem conosco convive, e geram uma espiral ascendente de evolução e autoconhecimento.
E essas mudanças são possíveis!!! Para cada mudança desejada podemos aplicar determinadas técnicas biológicas que produzem metamorfoses internas muito profundas. Podemos afetar nosso sistema emocional com uma simples respiração profunda. Podemos interceder em nossa estrutura fisiológica realizando certos movimentos e permanecendo neles algum tempo. Podemos ampliar a percepção interna e externa mantendo o foco da atenção em um único pensamento.
31/10/2008 1 comentário
Prazer e atenção
Tudo o que fazemos com mais consciência torna-se mais prazeroso.
Tudo o que realizamos em atitude de atenção, simplesmente, pela vivência mais intensa dos momentos, torna-se mais agradável também.
Isso em todas as áreas, irrestritamente.
Perceba que é diferente, por exemplo:
- respirar e respirar com consciência, extraindo prazer desse ato simples.
- ouvir música e contemplar música. Apreciar uma música é um exercício de consciência, atenção, emoção e sensibilidade. Ouvir música, não: isso pode ser inclusive apenas mais dispersão.
- jogar conversa fora e conversar mesmo, sem contar o tempo no relógio, por horas a fio desfrutando de uma boa companhia…
Reconheço que nem sempre se tem tempo disponível para parar tudo e ouvir detidamente uma música.
Sei que não é possível, para muitos, deixar o trabalho de lado e ouvir um colega.
Sei que às vezes parece não haver tempo nem para fechar os olhos e respirar, prolongadamente, deliciosamente, desfrutando a sensação do ar preenchendo os pulmões como se nada mais importasse… como se nada mais existisse.
É visível que a rotina da maioria das pessoas hoje não inclui um tempo diário de lazer descompromissado.
Mas, mesmo assim, digo que é possível reaprender a sentir.
Digo que é possível,ainda hoje, aprender a desfrutar mais dos momentos, cada um deles. Que isso é possível mesmo sem tirar um tempo exclusivo para esse fim.
Para viver mais intensamente, para sentir mais prazer todos os dias, basta uma mudança de atitude. Basta querer usufruir melhor do tempo que se tem.
Basta querer colocar mais atenção em tudo o que se faz.
Basta fazer isso de forma ativa, como uma atitude de respeito a nós mesmos e ao tempo precioso de vida que temos.
Comecemos fazendo aquilo de que mais gostamos com mais atenção, carinho e sensibilidade, provando um sorvete atento para todos os sabores, para a textura, para as diferenças de temperatura. E terminemos ficando plenamente mais atentos ao universo infinito em belezas, riquezas e alegrias que existe a nossa volta. (Ferramentas-Livre Pensar do Yôga)
É só começar a prestar a atenção nas coisas que já fazemos, e procurar fazê-las melhor e com menos stress.
Depois podemos escolher alguns momentos do dia para valorizar, um que seja por dia para gerar prazer.
Por exemplo, ao invés de, rotineiramente, ir almoçar no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, vá almoçar sozinho escolhendo realmente a comida que queira ingerir e fazendo-o lentamente, desfrutando mesmo a refeição.
Ao invés de andar apressadamente, levante um pouco mais cedo e preste atenção no caminho, perceba a luminosidade do dia que começa, perceba o céu, ele não estará igual nunca mais.
No trânsito escolha uma música, uma só…aquela que mexe com as suas emoções, aquela que faz lembrar quem você realmente é, lembrar daquilo que importa para você… ouça-a muitas vezes.
Sem tirar tempo nenhum do que já fazia, procure fazer melhor.
Use a rotina a seu favor, torne-a sua.
Na realidade, lembre-se que ela sempre o foi.
Perceba-a melhor, desfrute mais do que já tem em suas mãos e, a partir disso, quem sabe, pense em modificá-la…
Talvez alterá-la, no futuro, cause muito mais prazer …
31/10/2008 2 comentários
“O yôgin que se apaixona pelo código de ética evolui muito rápido”
Ouvi esta frase há algumas semanas, de meu professor de SwáSthya Yôga, Rogério Brant.
Não estava praticando no momento em que ele proferiu estas palavras, mas a seu lado, enquanto ele ministrava uma aula teórica para os alunos que estão fazendo o módulo de aprofundamento na filosofia do Yôga.
Como fiquei feliz por estar ali! … no lugar certo e na hora certa para ouvir estas palavras.
Estou estudando e vivenciando, em sequência, com este grupo, mais uma vez, cada uma das normas éticas do Yôga.
E este estudo mostra-se cada vez mais importante para mim.
Compreendi que será a partir da boa aplicação destes códigos de ética que os efeitos das minhas práticas diárias poderão melhor se manifestar.
Isso porque a sutilização das emoções gerada pela aplicação destes códigos irá preparar o meu organismo, tanto quanto, ou mais, do que a própria observação de uma alimentação compatível com a prática.
Já falei que, para um iniciante, mostra-se urgente a compreensão e aplicação das normas éticas.
Os Yamas e Niyamas desempenham um papel fundamental na preparação do praticante de Yôga para o despertamento da kundaliní. São condição sine qua non para que a prática possa desencadear o trabalho com chakras e nadís.
Bem, as palavras de meu monitor mudaram de vez a forma como vivencio estas regras.
Vou explicar:
Já se passaram algumas semanas desde que ouvi a frase, mas o efeito da expressão “apaixonar-se pelo código de ética” ainda repercute.
Embora já tenha feito estas vivências de forma programada algumas vezes e procurado durante vários anos incorporar cada vez mais os Yamas e Niyamas, desta vez a experiência ocorreu de forma mais fluida. Experimentei fazê-la por uma via diferente. Procurei envolver-me mais com estas regras, permiti-me senti-las mais, ao em vez de apenas querer compreendê-las. Procurei envolver-me mais com o sentido destas indicações.
Observei as vivências, mas desta forma:
- Concentrei-me menos nas tentativas de incorporar as regras.
- Envolvi-me mais com o sentido que as motiva – isso me fez apaixonar-me mais. Isso me fez querer senti-las mais. Me fez querer incorporá-las, realmente, não apenas pela compreensão racional de sua importância, mas pelo forte sentimento gerado por ser capaz de fazê-lo.
Apaixonei-me pelo motivo maior que gera estas regras e este motivo apresenta-se desta forma:
- vivenciar o altruísmo – mas não num sentido ético de altruísmo que tenha a ver com ser bom ou mal, certo ou errado.
- vivenciar o altruísmo no sentido de que o bem-estar do outro reverta no meu próprio bem estar.
Deu certo: a referência ao estado de paixão me fez perceber muitas coisas.
Durante muitas vezes essas palavras fizeram reverberar meus pensamentos, me tirando de um estado normal de atividades e me tornando naturalmente mais receptiva para agir em uma direção mais ética, mais de encontro com o bem-estar do outro, e por consequência do meu bem-estar também.
Não mudei os meus atos instantaneamente por uma via racional, mas emocionada pela força e beleza do sentido investido por estes atos, realizados por uma motivação ética.
Quando estamos apaixonados, envolvidos realmente com alguém, as ações que fazemos para manter e melhorar nossa relação ocorrem naturalmente, sem pensar…e, a todo instante.
Quando se está apaixonado não se medem esforços para estreitar os laços com a pessoa desejada, a ponto destes atos ocorrerem até de forma exagerada.
Nos emocionamos e já não é mais preciso pensar muito em como fazer para aprimorar a relação, porque pelo próprio estado de paixão os atos vão se dando espontaneamente nesse sentido.
Me apaixonei pela idéia de construir uma base sólida emocional e mental gerada a partir da boa relação com o próximo.
É isso que fará toda a diferença.
Se mantiver a constância neste processo, despertando cada vez mais esta paixão, compreendendo mais a impotância de um envolvimento mais ético e puro com tudo aquilo que me rodeia, certamente estarei cada vez mais preparada.
Poderei, a partir daí, sutilizar ainda mais os elementos materiais, por exemplo, a partir de uma alimentação ainda mais regrada. Possibilitando um trabalho mais seguro com relação à própria prática, que poderá ser aprofundada, deixando de ser apenas para reforço da estrutura biológica e podendo, a partir disso, avançar um pouco mais nas questões energéticas.
Faz mais sentido agora: que para a meta do autoconhecimento importa muito mesmo a base ética.
Ela é que permitirá a real purificação, que, unida aos anos a fio de prática constante, permitirão o saudável desenvolvimento dos chakras e despertamento de kundaliní.
Sem a vivência das normas todo esse desenvolvimento será inócuo, fazendo até mesmo com que o yôguin desista, por não perceber resultados na prática. Eles não se manifestarão bem se energeticamente não nos prepararmos.
Não é a toa, que no estudo realizado na aula denominada corpos do homem e planos do universo, faz-se a relação entre as normas éticas do Yôga e o múládhara chakra, que é o centro de energia base. A sede da kundaliní, que estimulada devidamente desencadeará o autoconhecimento, objetivo do Yôga.
27/10/2008 1 comentário
Transforme o seu dia!
Ninguém pode estragar o seu dia, a menos que você permita.
O colunista Sydney Harris acompanhava um amigo à banca de jornal. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas, como retorno, recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em sua direção o amigo de Sydney sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana. Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou: – Ele sempre lhe trata com tanta grosseria? Sim, infelizmente é sempre assim. – E você é sempre tão atencioso e amável com ele? Sim, sou. Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você? – Porque não quero que ele decida como eu devo agir .
Nós somos nossos “próprios donos”. Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mal-humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que nos transformam e sim nós que transformamo-os.
A maneira como você encara a vida, faz toda a diferença.
De Rafaella Coelho, Blog Viva Qualidade de Vida!
26/10/2008 1 comentário
Façamos novas todas as coisas
Para refletir:
Passamos muito tempo de nossa vida dando atenção, esforço e carinho para aspectos de nossa vida que nos trarão um retorno bem pequeno.
(…)
Há assuntos e trabalhos em nossa vida que precisam ser feitos, há outros que nem tanto. Comecemos abandonando esses assuntos de menor importância. Teremos mais tempo para dedicarmos a nós mesmos. Isso aumentará nossa qualidade de vida e mudará diversos outros fatores. Com isso, poderemos nos expor a mais atividades e vamos descobrir mais delas que nos trarão prazer.
Continue a leitura do artigo Árvore.
Publicado no Site da Uni-Yôga Bueno, Yôga em Goiânia.
Por Thiago Duarte, Instrutor da Uni-Yôga São Bernardo-SP, editor do Blog Reconstruindo Sentidos.
24/10/2008 Sem comentários
Sensibilidade e o conceito de espaço vital
Você já percebeu que quando entra em algum lugar público, cinema, teatro, sala de aula, e já existem lá algumas pessoas desconhecidas acomodadas é raro que você escolha se sentar próximo ou quem sabe exatamente ao lado de alguém?
Comece a perceber…
É que temos em torno de nós o chamado espaço vital.
Espaço vital é o espaço territorial de uma pessoa, que varia conforme a raça, o país e a educação de cada um.
…
O espaço territorial de uma pessoa é aquele que ela se reserva o direito de usufruir e, dentro de cujas fronteiras, qualquer ser humano é persona non grata. Eventualmente, abrem-se excessões para os amigos, parentes e entes queridos, desde que saibam seus limites e sejam comedidos nessa invasão concedida.*
… veja que a excessão ocorre justamente para as pessoas que no termo corriqueiro chamamos mesmo de “chegadas”.
Brincadeira a parte, o fato é que temos em torno de nós um espaço dentro do qual sentimo-nos bem.
É um espaço que, na maioria das vezes, inconscientemente, entendemos como território, para ser compartilhado ou não, dependendo da situação.
Resolvi falar sobre isso, porque há pouco ocorreu comigo uma situação engraçada que me fez lembrar deste conceito.
Estava trabalhando, sentada ao computador, completamente imersa em meus pensamentos, quando me dei conta, com um susto e tanto, que um colega sentara ao meu lado.
Ele já estava ali há alguns instantes, não quis interromper, mas também não quis deixar de ser notado já que veio até ali para falar comigo.
Como somos bem próximos, não me incomodei, nem com a aproximação e nem com o susto.
Por outro lado, é bem provável, que se a situação ocorresse com alguém estranho a mim o desconforto seria bem grande.
Em muitos casos, uma aproximação como essa poderia gerar até uma certa rusga.
Isso porque consideramos uma proximidade física “não autorizada” como essa, mesmo que não escrita em código algum, falta de educação, invasão de limites ou de privacidade.
Boa parte dos princípios de boas maneiras pode ser fundamentada na teoria do espaço vital.
…
Observe que muito do que se denomina etiqueta social é, nada mais, nada menos do que o estabelecimento formal de limites.*
Pode parecer um certo exagero da minha parte, até porque cada um lida de uma forma com essa área de conforto.
Enquanto uns recuam ou sentem-se mal porque alguém desconhecido se senta à mesma mesa em um lugar público, outro, na mesma situação, até é capaz de puxar assunto.
Exagero ou não o caso é que existem limites, invisíveis mas existem.
A observação que faço hoje não é nem tanto a respeito de como trato do meu espaço vital, mas como me relaciono com o dos outros.
É uma questão de sensibilidade, e em um certo sentido de educação.
Muitos dos pequenos atritos diários podem ser minimizados ou completamente deixados de lado pela simples observação da área de conforto do outro e consequente respeito à ela.
Aprender a observar, respeitar e compreender a necessidade de espaço que as pessoas à sua volta têm pode fazer com que, em curto espaço de tempo, suas relações pessoais subam a um nível elevadíssimo de refinamento.
Tomando consciência dos limites das pessoas com quem convive, você poderá, ao agir de acordo com esta consciência, tornar-se mais amistoso, mais agradável e mais desejado de se conviver.
O melhor disso é que, tornando-se uma companhia mais agradável, certamente o que virá dessas pessoas, será a natural retribuição. De mais espaço, mais educação e compreensão para os seus próprios limites.
Vale a pena investir, mesmo que a contrapartida não ocorra.
No mínimo, nos tornaremos, pela simples observação do outro, mais refinados e sensíveis.
A partir daí, também, não será pelas nossas ações que os eventuais atritos serão iniciados.
Isso, por si só, já parece algo desejável.
Para aprimorar ainda mais este comportamento, vale lembrar que este espaço é mais sutil do que pode parecer.
As situações como uma música alta, ou um berro de chamado quando alguém encontra-se concentrado em algo parecem, a meu ver, tão invasivas quanto uma proximidade indesejada.
Ou um perfume, exagerado, que possa inclusive gerar mal estar ao outro, que não o escolheu.
Não bastasse isso, entravar o ir e vir alheio, opinando a respeito de suas companhias, de seu modo de vestir, de falar, de se movimentar, sem que esta sugestão seja formalmente pedida, não parece invasão também?
A mim parece…
Mostra-se mais trabalhoso agora, mas, se quisermos preservar e sutilizar nossas relações, já temos um bom guia para seguir: observar o que pode ser invasivo ao outro, por mais sutil que seja, e agir de forma a não instigar qualquer comportamento indesejado.
Se você quiser preservar uma amizade ou um relacionamento afetivo, metabolize esta regra áurea: a única maneira de prender alguém é soltar; a melhor maneira de perder alguém é cercear sua liberdade ou invadir sua privacidade.*
*Para aprofundar: esse conceito e as citações aparecem em um livro de boas maneiras, escrito no contexto do Yôga, mas para a utilização irrestrita e geral de todos que o quiserem.
(Boas Maneiras no Yôga é o seu título, DeRose o autor, publicado pela Nobel editora)
17/10/2008 4 comentários
Algo que se aproxima daquilo que entendo por educação…
Antes de me tornar Instrutora de Yôga, iniciei o curso de Filosofia com o objetivo de me graduar nessa área.
Sempre gostei de textos que tratassem das questões peculiarmente humanas.
Sempre gostei das longas reflexões que só nós, bichos-homens, podemos fazer a respeito do Universo e de nós mesmos.
Ainda curso esta faculdade, mas agora sem qualquer objetivo profissional.
Hoje, continuo minha graduação apenas pelo prazer de permanecer em contato com o supra-sumo da Cultura Ocidental. E veja que existe muita coisa interessante, muitas idéias empoeiradas nestes livros antigos que ultrapassam em séculos a compreensão atual da maioria dos viventes destes dias…
Dentre os autores que li, mesmo antes de entrar na universidade, considero alguns subjetivamente mais importantes.
Justamente aqueles que, por afinidades de concepção de mundo, desde o primeiro contato, puderam me influenciar. Aqueles que através de suas idéias, tão metodicamente expostas, puderam fazer parte de quem sou hoje.
Sempre temos aqueles autores preferidos que fizeram, a partir de suas exposições, com que algo mudasse dentro de nós.
Aqueles que, nas conversas solitárias que temos às vezes conosco mesmos, em pensamentos, chamamos de colegas ou até amigos, desde a primeira leitura.
Um destes que considero especiais para mim é o francês Rousseau.
Citarei aqui um trecho de um livro deste autor, que por muito tempo ficou anotado em um de meus cadernos.
Este escrito clareou muito a minha visão a respeito do que até hoje consideramos ser Educação.
Quando era adolescente, li estas palavras e passei a pensar muito sobre o que realmente gostaria de saber, sobre o que gostaria de aprender e conhecer.
Percebi que, durante anos de estudo, não pude escolher o conteúdo de meu próprio aprendizado.
Que, durante muito tempo, todo o conteúdo passado a mim teve apenas a função de uma preparação para interesses exteriores. E nem sempre compatíveis com minhas curiosidades do momento em que vivia.
Percebi que sempre, desde pequena, fui preparada para uma sociedade ou para um mercado.
Jamais para ser eu mesma.
Jamais para que eu descobrisse quais seriam as minhas reais potencialidades e para saber o que fazer para desenvolvê-las.
Enfim, não que não se possa ensinar para a sociedade ou para o mercado. Não é esse o fato.
O fato é que em geral só se ensina isso.
E que essa educação para o exterior se dá em detrimento da transmissão de experiências que façam sentido para a realização do indivíduo.
O fato é que não é este tipo de educação que torna um ser humano realizado. Ela não permite a exploração do ser humano em suas particularidades.
Este tipo de educação inclusive poda a criatividade e as potencialidades individuais.
Normalmente consideramos gênio pessoas que nada mais fizeram do que se desenvolver independentemente da educação vigente em seu tempo (e não que isso não seja um grande mérito).
Importa que esta educação não tem o objetivo de tornar o aluno um homem feliz, ou completo… um homem desenvolvido plenamente em suas capacidades. Ela apenas torna os homens úteis.
Muitas vezes, apenas se ensina a servir, a ter um papel na sociedade, sem jamais levar em conta que aquele que está ali para aprender é muito mais do que isso.
Rousseau leva em consideração que seu aluno é, acima de tudo, um ser humano em formação.
Alguém que, independentemente de seuas funções na sociedade, tem seus próprios anseios, seu próprio tempo.
Que o aprendizado principal de alguém deveria sempre partir das questões que se põem de dentro para fora. Que o aprendizado seja motivado pelo anseio de saber do aluno e jamais de conteúdos genéricos impostos pelo professor.
Segue a citação:
Arrastados pela natureza e pelos homens a caminhos contrários, forçados a nos dividir entre esses diversos impulsos, seguimos uma composição que não nos leva nem a um nem a outro objetivo. Assim, combalidos e errantes durante toda nossa vida, terminamo-la sem termos podido entrar em contato com nós mesmos, e sem termos sido bons nem para nós nem para os outros.
(…)
Na ordem natural, sendo os homens todos iguais, sua vocação comum é a condição de homem, e quem quer que seja bem educado para tal condição não pode preencher mal as outras relacionadas com ela. Pouco me importa que destinem o meu aluno à espada, à igreja ou à barra. Antes da vocação dos pais a natureza o chama para a vida humana. Viver é o ofício que quero ensinar-lhe. Ao sair das minhas mãos, concordo que não será nem magistrado, nem soldado, nem padre; será Homem em primeiro lugar; tudo o que um Homem deve ser, ele será capaz de ser, e se preciso, tão bem quanto qualquer outro; e, ainda que a fortuna o faça mudar de lugar, ele estará sempre no seu.
O livro em que li estes trechos chama-se Emílio, ou da educação.
Emílio é o aluno imaginário o qual durante todo o livro Rousseau acompanha. Ele ensina a Emílo apenas o que acha necessário, motivado sempre pelas questões que vão surgindo através da vivência do próprio aluno da realidade que o cerca.
É muito interessante acompanhar o percurso de Emílio, desde seu nascimento até seu casamento.
O papel do preceptor é ao mesmo tempo ativo e passivo. Ele não interfere na ordem dos fatos e experiências do aluno, mas busca em cada situação vivida o contexto para aplicar a transmissão de um conhecimento.
Acho interessante exatamente isto, o respeito do professor pelo tempo interno do aluno e a sensibilidade de contextualizar o conhecimento, linkando-o sempre à realidade vivida por aquele que aprende.
Espero que tenha gostado também.
15/10/2008 2 comentários








