Tudo Sobre Yôga em Curitiba
Imagens aleatórias... atualize para ver mais!

Categoria — Teoria

Hino da Uni-Yôga

6/4/2009   1 comentário

Desamador, de Fabrício Carpinejar

Não sou capaz de amar por piedade. Amar é estar no mesmo nível, com a mesma altura dos ombros, o tremor de balbuciar e logo beijar para não esquecer o que o corpo pede. Não é rebaixar ou cumprir um favor. Amar não é uma compensação.

Amar não dá poder, é o despoder. Ensina a generosidade, a vontade de se diminuir para que o amor aumente. Amar é ceder o gosto, a vida, o futuro. É oferecer a metade da gaveta, da cama, da luz, do banho, da mesa, da folha. É oferecer o que ainda nem se chegou a conhecer.

Leia na íntegra em: Fabrício Carpinejar

6/4/2009   Sem comentários

Nossa corrente é espiritualista?

DeRose escreveu hoje em seu blog sobre as raízes naturalistas do SwáSthya Yôga.

A temática do post foi motivada pela pergunta frequente : nossa filosofia espiritualiza?

Abaixo vai o esclarecimento dado por ele:

O Hinduísmo é constituído por seis darshanas (pontos de vista). Dois desses pontos de vista são filosofias teóricas que podem ser aplicadas para fundamentar a nossa filosofia prática:

Vêdánta, espiritualista, que teve seu apogeu no período medieval da Índia; e

Sámkhya, naturalista, que teve seu apogeu na antiguidade Clássica e Pré-Clássica. Nossa fundamentação é Pré-Clássica, logo, ela é baseada na filosofia Sámkhya – naturalista.

Na verdade, esses dois pontos de vista podem parecer antagônicos (e o são mesmo se os analisarmos por uma ótica externa), mas, para o filósofo que os conheça bem, não há contradição intrínseca entre eles. O primeiro parte do princípio de que tudo é espiritual em diferentes níveis de densificação até chegar aos patamares mental, emocional, energético e físico denso. O segundo, parte do princípio de que tudo é matéria em diferentes níveis de sutilização, até alcançar os patamares energético, emocional, mental e os que estão acima dele.

Espiritualismo é uma coisa e espiritualidade é outra. A espiritualidade é um patrimônio do ser humano. Qualquer vertente da Nossa Cultura, de qualquer modalidade, desde que autêntica, desenvolve a espiritualidade.

Contudo…

A espiritualidade é uma função biológica. É como a digestão. Todos a temos: uns, melhor; outros, nem tanto. Nossa Cultura a aprimora. Contudo, ficar com fixação sobre isso é sinal de distúrbio psicológico. Você só pensa na sua digestão quando ela não está funcionando bem. É a mesma coisa com a espiritualidade. Imagine alguém lendo livros sobre digestão, indo a conferências sobre digestão, debatendo sobre digestão e seguindo Mestres de digestão! Essa pessoa deve ser doente da função digestiva… Quem assiste a palestras sobre espiritualidade, lê livros sobre esse tema, debate-o, ou segue Mestres espirituais, por analogia, também deve ser uma pessoa doente da espiritualidade. Caso contrário, desfrutaria dela com naturalidade e a aprimoraria com discrição.

6/4/2009   Sem comentários

Método DeRose é por definição…

Segundo DeRose:

O Método DeRose é uma proposta de estilo de vida com ênfase em boa qualidade de vida, boas maneiras, boas relações humanas, boa cultura, boa alimentação e boa forma. Algumas das nossas ferramentas são a reeducação respiratória, a administração do stress, as técnicas orgânicas que melhoram o tônus muscular e a flexibilidade, procedimentos para o aprimoramento da descontração emocional e da concentração mental.

Quer saber mais sobre o método?

Vá diretamente à sua fonte: Blog do DeRose, um canal direto de comunicação com o codificador do Yôga Pré-Clássico, atualizado diariamente!


19/1/2009   Sem comentários

Novo Programa do Curso Básico

É com muito gosto que comunico a finalização, por DeRose, da nova edição do livro: Programa do Primeiro Ano do Curso Básico de Yôga.

A notícia acabou de ser postada por ele em seu blog.

Veja lá: Blog do DeRose.

O livro Programa do Curso Básico é  fundamental tanto para o iniciante no Yôga, quanto para o graduado com pretensões de formação profissional nessa área.

É uma compilação de textos de DeRose, organizada de forma que complementa e esclarece as aulas teóricas ministradas por ele.

É utilizado nas avaliações das Federações de Yôga e conta com uma quantidade impressionante de informações valiosas sobre esta filosofia.

15/12/2008   Sem comentários

O que é a Universidade de Yôga?

Será que você sabe exatamente o que é a Universidade de Yôga?

Leia sobre isso no blog da Uni-Yôga Alto da XV

11/11/2008   1 comentário

Mas, afinal, o que é Yôga?

Informativo à respeito do que é a filosofia do Yôga.

Com download gratuito do livro:

Tudo o que você nunca quis saber sobre Yôga e jamais teve a intenção de perguntar.

Site de referência: Eu pratico Yôga.

25/10/2008   Sem comentários

A antiga questão do tempo…

Scary Spiderwick Chronicles Halloween House
Creative Commons License woodleywonderworks

Fiquei realmente feliz por ler no blog Eu Pratico Yôga, de meu shakta Alessandro Martins, mais um texto postado pelo meu querido amigo, Felipe Lengert.

Felipe é graduado em Física, eu graduanda em Filosofia, ambos nos dedicamos ao Yôga e em momentos de tempo livre trocamos algumas de nossas idéias a respeito desses assuntos.

Nunca, até hoje, conversamos sobre o tema Tempo. Talvez ele nem saiba, mas a questão que trabalho na minha graduação, que foi tema de meu projeto para bolsista do PET-Filosofia-UFPR e será o futuro tema de minha monografia é justamente esse.

Não vou falar de meu projeto hoje, mas adianto que vou escrever, em breve, um pouco sobre isso.

Escreverei neste blog porque o autor que estudo, Henri Bergson, aproxima seu conceito de tempo à uma duração interna, subjetiva.

Ele trata do tema do tempo indissociado do tema da evolução.

Conceito de evolução, por sinal, que tem total afinidade com a proposta do Yôga.

Na sua concepção de tempo, este conceito não é entendido como algo abstrato ou formal, mas como realidade indissoluvelmente ligada à vida e ao eu humano.  Nomeia esse conceito de tempo como “duração”.

Esse conceito pode ser entendido como “tempo vivo”, análogamente à uma força viva.

É uma corrente dinâmica, sujeita à variações qualitativas constantes e sempre em aumento; escapa à reflexão, não pode ser ligada a nenhum ponto fixo, pois nesse caso seria limitada e deixaria de existir.

Pode ser percebida e sentida por uma consciência concentrada que se volta sobre si mesma e sua origem

Cito alguns trechos, só para apresentar, são extraídos de seu principal livro, Evolução Criadora, prêmio Nobel em 1928:

O universo dura. Quanto mais aprofundarmos a natureza do tempo, melhor compreenderemos que duração quer dizer invenção, criação de formas, elaboração contínua do inteiramente novo. Os sistemas delimitados pela ciência só duram porque se acham indissoluvelmente ligados ao resto do universo. Sem dúvida, é necessário distinguir, no próprio universo, como adiante diremos, dois movimentos opostos, um de “descida” e outro de “subida”. O primeiro limita-se a desenrolar um rolo já preparado. Em princípio poderia realizar-se de uma maneira quas que instantânea, como sucede a mola que se distende. Mas o segundo, que corresponde à um trabalho interior de maturação ou criação, dura essencialmente, e impõe o seu ritmo ao primeiro, que dele é inseparável.

(…)

Em todo o lugar onde alguma coisa vive, existe, aberto em alguma parte, um registro onde o tempo se inscreve.

(…)

Ora, quanto mais se atenta nesta continuidade da vida, melhor se vê a evolução orgânica aproximar-se de uma consciência, em que o passado exerce pressão sobre o presente e dele faz surgir uma nova forma, incomesurável com os seus antecedentes.”

Hoje, a respeito disso, paro por aqui.

Indicando o escrito do Felipe: Tempo e vida.

Sei que esta questão ainda vai dar pano para manga, nos vemos em algum café, amigo Felipe!

E você, se gostar, estará convidado, mas só vá se já tiver destinado tempo à sua prática, que na realidade é o que mais importa.

O resto é para fortalecer nossos laços de amizade, conversando despretenciosamnte sobre estas coisas assim como poderíamos tratar de outras mais simples ou sair para ver um filme…tomar um sorvete…nada demais.

17/10/2008   2 comentários

História do Yôga no Brasil

Brasil, meu Brasil brasileiro...
Creative Commons License Andrea Fregnani

Leia aqui o post a respeito dos acontecimentos que iniciaram a história do Yôga no Brasil.

Escrito no blog da Unidade Alto da XV, por Alessandro Martins.

Confira informações como: quem introduziu o Yôga no Brasil e quem escreveu o primeiro livro em lingua portuguesa.

5/10/2008   1 comentário

A imaginação criadora

Citação do livro Yôga e Consciência, de Antôno Renato Henriques.

Li este livro há mais de três anos, ao mesmo tempo que conheci e comecei a ler o Yôga Sútra de Pátáñjali.

Me chamou a atenção principalmente o trecho que compartilharei a seguir.

Não foi uma, nem duas vezes, que algumas das frases do trecho abaixo me vieram á memória enquanto pensava a repeito da riqueza da tradição cultural milenar que é o Yôga.

Espero que goste!

Todos nós sabemos que o homem é o que é graças a sua grande imaginação. O que alguém é capaz de imaginar, outro alguém é capaz de realizar. E o ser humano privou sempre por imaginar além de sua presente circunstância. Toda a transcendência criativa humana se deu devido à imaginação. Imaginar não é propriamente criar o inexistente, é transformar o real, transmutar o velho em novo. Sempre o velho apareceu na História associado à razão e a estruturas fixas, quer mentais ou sociais, enquanto que o novo apareceu sempre vinculado à ousadia da mudança, à loucura de imaginar uma possibilidade outra, uma estrutura ou perspectiva diferente. E, muitas vezes, por medo da loucura afogamos nossa imaginação no respeito às tradições e aos valores estabelecidos. É claro que não podemos jogar o passado pela janela, assim como não podemos arrancar nossas raízes e continuarmos crescendo.
Mas a preservação do velho não quer dizer deixar de buscar o alto e não ouvir o que de novo nos traz o vento. Obviamente necessitamos de espíritos criativos, capazes de imaginarem saídas outras para os problemas crônicos de nossa civilização ocidental, capazes de repensarem as ideologias hoje existentes, recriando-as em função de um novo ideal de humanidade. É claro que carecemos em nossas vidas particulares de mais imaginação e criatividade, ainda mais neste século da cultura de massa, do trabalho especializado e rotineiro, onde estamos proibidos de inventar. Carecemos de inventar o novo mesmo nas nossas filosofias, já tão desgastadas em seus pontos de vista, que não conseguiram fazer-nos melhores ou fazer melhor o mundo em que vivemos. Porém, quando tentamos extrair o novo do velho, no caso a bem velha filosofia do Yôga, deparamos com um problema deveras difícil: como conciliar uma consciência contemplativa, que apenas testemunha, sendo, portanto, passiva, com uma capacidade ativa de criar e imaginar?

A criação artística é fruto de um desejo de expressão que implica necessáriamente um trabalho do ser que cria, trabalho este emocional, físico e mental. Estas três dimensões do ser humano pertencem à Prakriti (matéria) e não ao Púrusha (espírito)*. Contudo, o ato de criar é um novo modo de o homem experimentar a Prakriti e também uma maneira nova de a Prakriti relacionar-se ao Púrusha. A arte em geral é a expressão de um mistério subjacente à exterioridade do mundo. E tal realidade oculta, dificilmente expressa, surge da “luz” do Púrusha refletida na percepção das coisas.
Quando um pintor, um músico ou um poeta “cantam” os encantos da natureza ou simplesmente criam puras abstrações, o fazem a partir de uma especial percepção (que nós chamamos de artística, e que em verdade é uma percepção direta, mais uma intuição) do informe oculto em todas as formas.
Ou seja, o artista é um yôgin irrealizado, é aquele que teve o vislumbre da verdade e da sublime beleza e captou-as na aparência do mundo, como quem descobre o cosmos estrelado refletido nas águas de um poço. O artista equivale a um pássaro que tenta contar aos animais terrestres o que é o voar e como se vê a terra do alto.
Durante o vôo o ego do artista afrouxa seus elos com o mundo, ele consegue contemplá-lo como aquela consciência que apenas vê, desde o seu Púsusha.

E pela visão do Púrusha o artista se une à terra, não mais como um seu produto, mas como aquele que a domina desde o seu âmago, pelo poder natural de transformá-la pelo seu olhar.
Aos olhos do Púrusha o mundo se transfigura. O artista equivale ao discípulo, é aquele que vislumbra e volta, atinge mas não se estabelece. E ao retornar, se torna aquele que fala: ao mundo, do céu; ao velho, do novo; ao tempo, do eterno; ao homem de deus.

Quando um artista cria, na verdade recria da matéria inerte uma nova dinâmica, da letra morta o espírito vivo de um outro sentido. A criação artística contém em seu bojo a dialética da realidade aparente, em que se fusionam razão e imaginação, sonho e vigília. Só que aqui não é o sonho que perdura no estado desperto com seu clima de alma, seja alegre, triste ou de desconforto. É o contrário, o artista é mais que aquele que desperta mas não de todo, é aquele que acorda mas volta a dormir, e passa a incluir em seus sonhos certas visões do despertar, não de todo consumado. Daí que, se o artista é um yôgin irrealizado, o yôgin pode ser o artista que se superou.

O artista é, de certa forma,  aquele que percebeu o palco, e que, mesmo estando em cima dele, consegue existir acima e além do espetáculo. E mais, sendo aquele que “intuiu” a realidade do espetáculo, consegue improvisar em cena, recriando o enredo, transformando os “climas”, mudando um drama em comédia, uma tragédia em opereta, até que alguém baixe o pano e os atores desvistam seus personagens.

A arte é um ato de ser e de expressão. O ser apenas é e a expressão não se explica, ela penetra pelos nossos sentidos sem pedir licença. A arte é um ato de amor e paixão. O amor e a paixão não podem ser totalmente entendidos, eles não são racionais. Mas arte também é um ato psíquico, mental; supõe, pois, idéias. Porém, não é um ato de puro intelecto, porque o coração a contamina. Tampouco a arte conceitua, suas idéias são imagens. E cada imagem é um mundo e uma emoção. Ou seja a arte é um horizonte de possibilidades, ressonâncias e interpretações. E o fruto de todo o ato artístico de amor deve ser comunicado ao mundo, deve se lhe dar a luz, pois a arte é, em nossos profundos abismos, a possibilidade de um cume.

O mais importante em relação à imaginação criadora, justificando estas linhas, é que Pátáñjali considera a imaginação um vritti, portanto algo negativo em si, passível de ser suprimido para que ocorra o samádhi. O yôgin realizado seria, em consequência de tal assertiva, um homem sem imaginação alguma, e mais, seria alguém que não pensa. Poderia tal ser existir? Esta seria uma conclusão apressada, teríamos antes de analisar o pensar e o imaginar a que Pátáñjali se refere. Como veremos mais adiante, quando estudarmos o problema do conhecimento, o pensar que inexiste no êxtase é o que implica a dicotomia entre sujeito e objeto. Mas concebe o Yôga a permanência da consciência mesmo em uma mente sem objeto. Na verdade uma mente sem objeto não pensa e, portanto, não existe, se concebemos mente como uma atividade pensante. Porém permanece um sujeito transcendental, não mais  o eu-empírico com seus conteúdos psíquicos introjetados no exterior, mas um ser consciente que puramente vê.

Em relação à imaginação temos uma concepçao diferente. Como já explicamos a imagem é criada pela consciência, não é um mero reflexo ou cópia do objeto, equivale ao ato de recriar o percebido. A imagem pode ter referenciais concretos, mas em si mesma ela é um nada. Porém, podemos transmitir este nada, comunicá-lo como arte, ou seja, ele “funciona”, atua como algo. Isto nos leva à constatação de que a imaginação é algo que, apesar de não concreto, atua sobre o concreto através da criação artística, captável pelos sentidos, porque materializada em obra. E apesar de não concreta só há imaginação a partir de um mundo percebido e/ou lembrado. Diremos nós que a imaginação é como que o reverso da percepção, pois a primeira só existe onde existe a segunda. E imaginar é recriar percepções dando-lhes um outro sentido. Pátáñjali diz que nos estados avançados de Yôga, desaparecem juntas a percepção e a imaginação, permanecendo o sentido. Isto significa que, apesar de mais subjetiva que a percepção, a imaginação ainda é um “reflexo”, apesar de distante e distinto, das coisas concretas, portanto é Prakriti. Significa também que a imaginação criadora é uma ação do sujeito empírico e não do Eu transcendental.

Apesar disto, tomada no nível de consciência humana comum, a imaginação é um avanço, porque equivale a uma ida do exterior para o interior. Resta desde o interior ascendermos para uma realidade suprapessoal, onde criar não é mais um ato subjetivo, mas a expressão de uma vontade, e uma consciência cósmica.

O Púrusha não criou a Prakriti, assim como Íshwara não criou o mundo, mas não por impotência ou carência de criatividade. O Púrusha do Yôga pode criar, mais do que o próprio artista, já que os siddhis (poderes paranormais) que o Yôga desenvolve nele ampliam suas capacidades, como o poder de manipular a matéria e materializar idéias. Porém o yôgin evita manipular a matéria poe uma submissão consciente e voluntária à natureza .

Devido ao desapego e a todos os avanços de seu ser, ele vive sem carências, satisfeito com um mínimo que a natureza jamais lhe nega, porque se subordina à sua vontade cósmica.

Em outras palavras, o que o yôgin cria não é públicamente exposto, porque em verdade sua principal obra é sua vida, seu ser e a transformação que opera no ser dos seus discípulos.

28/9/2008   1 comentário