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Ashtánga sádhana: um anga prepara para o outro
Indico aqui um post que trata de um aspecto fundamental do ashtánga sádhana: a sua estrutura, encadeada, onde uma parte (ou anga) prepara para a próxima, potencializando-a.
Ashtánga sádhana é a prática em oito partes, primeira e principal característica do SwáSthya Yôga.
É formada pelas seguintes técnicas, nessa ordem:
- mudrá: linguagem gestual do Yôga
- pújá: trânsito energético; quatro saudações prévias
- mantra: vocalização de sons para a produção de ultrassons
- pránáyáma: técnicas respiratórias para expansão da energia (bioenergia)
- kriyá: técnicas de purificação
- ásana: técnicas corporais de equilíbrio, flexibilidade e força (com ação psicofísica)
- yôganidrá: técnica de descontração para auto-reprogramação emocional e abstração dos sentidos (pratyáhára)
- samyama: concentração, meditação e estados mais elevados de consciência
20/10/2008 Sem comentários
Sensibilidade e o conceito de espaço vital
Você já percebeu que quando entra em algum lugar público, cinema, teatro, sala de aula, e já existem lá algumas pessoas desconhecidas acomodadas é raro que você escolha se sentar próximo ou quem sabe exatamente ao lado de alguém?
Comece a perceber…
É que temos em torno de nós o chamado espaço vital.
Espaço vital é o espaço territorial de uma pessoa, que varia conforme a raça, o país e a educação de cada um.
…
O espaço territorial de uma pessoa é aquele que ela se reserva o direito de usufruir e, dentro de cujas fronteiras, qualquer ser humano é persona non grata. Eventualmente, abrem-se excessões para os amigos, parentes e entes queridos, desde que saibam seus limites e sejam comedidos nessa invasão concedida.*
… veja que a excessão ocorre justamente para as pessoas que no termo corriqueiro chamamos mesmo de “chegadas”.
Brincadeira a parte, o fato é que temos em torno de nós um espaço dentro do qual sentimo-nos bem.
É um espaço que, na maioria das vezes, inconscientemente, entendemos como território, para ser compartilhado ou não, dependendo da situação.
Resolvi falar sobre isso, porque há pouco ocorreu comigo uma situação engraçada que me fez lembrar deste conceito.
Estava trabalhando, sentada ao computador, completamente imersa em meus pensamentos, quando me dei conta, com um susto e tanto, que um colega sentara ao meu lado.
Ele já estava ali há alguns instantes, não quis interromper, mas também não quis deixar de ser notado já que veio até ali para falar comigo.
Como somos bem próximos, não me incomodei, nem com a aproximação e nem com o susto.
Por outro lado, é bem provável, que se a situação ocorresse com alguém estranho a mim o desconforto seria bem grande.
Em muitos casos, uma aproximação como essa poderia gerar até uma certa rusga.
Isso porque consideramos uma proximidade física “não autorizada” como essa, mesmo que não escrita em código algum, falta de educação, invasão de limites ou de privacidade.
Boa parte dos princípios de boas maneiras pode ser fundamentada na teoria do espaço vital.
…
Observe que muito do que se denomina etiqueta social é, nada mais, nada menos do que o estabelecimento formal de limites.*
Pode parecer um certo exagero da minha parte, até porque cada um lida de uma forma com essa área de conforto.
Enquanto uns recuam ou sentem-se mal porque alguém desconhecido se senta à mesma mesa em um lugar público, outro, na mesma situação, até é capaz de puxar assunto.
Exagero ou não o caso é que existem limites, invisíveis mas existem.
A observação que faço hoje não é nem tanto a respeito de como trato do meu espaço vital, mas como me relaciono com o dos outros.
É uma questão de sensibilidade, e em um certo sentido de educação.
Muitos dos pequenos atritos diários podem ser minimizados ou completamente deixados de lado pela simples observação da área de conforto do outro e consequente respeito à ela.
Aprender a observar, respeitar e compreender a necessidade de espaço que as pessoas à sua volta têm pode fazer com que, em curto espaço de tempo, suas relações pessoais subam a um nível elevadíssimo de refinamento.
Tomando consciência dos limites das pessoas com quem convive, você poderá, ao agir de acordo com esta consciência, tornar-se mais amistoso, mais agradável e mais desejado de se conviver.
O melhor disso é que, tornando-se uma companhia mais agradável, certamente o que virá dessas pessoas, será a natural retribuição. De mais espaço, mais educação e compreensão para os seus próprios limites.
Vale a pena investir, mesmo que a contrapartida não ocorra.
No mínimo, nos tornaremos, pela simples observação do outro, mais refinados e sensíveis.
A partir daí, também, não será pelas nossas ações que os eventuais atritos serão iniciados.
Isso, por si só, já parece algo desejável.
Para aprimorar ainda mais este comportamento, vale lembrar que este espaço é mais sutil do que pode parecer.
As situações como uma música alta, ou um berro de chamado quando alguém encontra-se concentrado em algo parecem, a meu ver, tão invasivas quanto uma proximidade indesejada.
Ou um perfume, exagerado, que possa inclusive gerar mal estar ao outro, que não o escolheu.
Não bastasse isso, entravar o ir e vir alheio, opinando a respeito de suas companhias, de seu modo de vestir, de falar, de se movimentar, sem que esta sugestão seja formalmente pedida, não parece invasão também?
A mim parece…
Mostra-se mais trabalhoso agora, mas, se quisermos preservar e sutilizar nossas relações, já temos um bom guia para seguir: observar o que pode ser invasivo ao outro, por mais sutil que seja, e agir de forma a não instigar qualquer comportamento indesejado.
Se você quiser preservar uma amizade ou um relacionamento afetivo, metabolize esta regra áurea: a única maneira de prender alguém é soltar; a melhor maneira de perder alguém é cercear sua liberdade ou invadir sua privacidade.*
*Para aprofundar: esse conceito e as citações aparecem em um livro de boas maneiras, escrito no contexto do Yôga, mas para a utilização irrestrita e geral de todos que o quiserem.
(Boas Maneiras no Yôga é o seu título, DeRose o autor, publicado pela Nobel editora)
17/10/2008 4 comentários
A antiga questão do tempo…
Fiquei realmente feliz por ler no blog Eu Pratico Yôga, de meu shakta Alessandro Martins, mais um texto postado pelo meu querido amigo, Felipe Lengert.
Felipe é graduado em Física, eu graduanda em Filosofia, ambos nos dedicamos ao Yôga e em momentos de tempo livre trocamos algumas de nossas idéias a respeito desses assuntos.
Nunca, até hoje, conversamos sobre o tema Tempo. Talvez ele nem saiba, mas a questão que trabalho na minha graduação, que foi tema de meu projeto para bolsista do PET-Filosofia-UFPR e será o futuro tema de minha monografia é justamente esse.
Não vou falar de meu projeto hoje, mas adianto que vou escrever, em breve, um pouco sobre isso.
Escreverei neste blog porque o autor que estudo, Henri Bergson, aproxima seu conceito de tempo à uma duração interna, subjetiva.
Ele trata do tema do tempo indissociado do tema da evolução.
Conceito de evolução, por sinal, que tem total afinidade com a proposta do Yôga.
Na sua concepção de tempo, este conceito não é entendido como algo abstrato ou formal, mas como realidade indissoluvelmente ligada à vida e ao eu humano. Nomeia esse conceito de tempo como “duração”.
Esse conceito pode ser entendido como “tempo vivo”, análogamente à uma força viva.
É uma corrente dinâmica, sujeita à variações qualitativas constantes e sempre em aumento; escapa à reflexão, não pode ser ligada a nenhum ponto fixo, pois nesse caso seria limitada e deixaria de existir.
Pode ser percebida e sentida por uma consciência concentrada que se volta sobre si mesma e sua origem
Cito alguns trechos, só para apresentar, são extraídos de seu principal livro, Evolução Criadora, prêmio Nobel em 1928:
O universo dura. Quanto mais aprofundarmos a natureza do tempo, melhor compreenderemos que duração quer dizer invenção, criação de formas, elaboração contínua do inteiramente novo. Os sistemas delimitados pela ciência só duram porque se acham indissoluvelmente ligados ao resto do universo. Sem dúvida, é necessário distinguir, no próprio universo, como adiante diremos, dois movimentos opostos, um de “descida” e outro de “subida”. O primeiro limita-se a desenrolar um rolo já preparado. Em princípio poderia realizar-se de uma maneira quas que instantânea, como sucede a mola que se distende. Mas o segundo, que corresponde à um trabalho interior de maturação ou criação, dura essencialmente, e impõe o seu ritmo ao primeiro, que dele é inseparável.
(…)
Em todo o lugar onde alguma coisa vive, existe, aberto em alguma parte, um registro onde o tempo se inscreve.
(…)
Ora, quanto mais se atenta nesta continuidade da vida, melhor se vê a evolução orgânica aproximar-se de uma consciência, em que o passado exerce pressão sobre o presente e dele faz surgir uma nova forma, incomesurável com os seus antecedentes.”
Hoje, a respeito disso, paro por aqui.
Indicando o escrito do Felipe: Tempo e vida.
Sei que esta questão ainda vai dar pano para manga, nos vemos em algum café, amigo Felipe!
E você, se gostar, estará convidado, mas só vá se já tiver destinado tempo à sua prática, que na realidade é o que mais importa.
O resto é para fortalecer nossos laços de amizade, conversando despretenciosamnte sobre estas coisas assim como poderíamos tratar de outras mais simples ou sair para ver um filme…tomar um sorvete…nada demais.
17/10/2008 2 comentários
Círculo de Mentalização: sat chakra.
Ontem, 15 de outubro – dia do professor, participei, na Unidade em que dou aula, de mais um sat chakra.
Esta tradicional prática em círculo é feita uma vez por mês.
É sempre forte e transformadora.
Unimo-nos todos, alunos e instrutores, para reforçarmos através de mentalizações os nossos objetivos grupais e individuais.
Essa prática é composta de:
- Aquietamento-preparação
- Respiratórios-pránáyámas
- Vocalização de sons e ultra-sons:mantras
- Mentalizações
- Encerramento
Após a prática passamos à confraternização.
Nela os alunos de todos os horários têm a oportunidade de se conhecer melhor, aumentando assim seus círculos de amizades.
O sat chakra também acaba se tornando uma oportunidade de aprofundamento na filosofia do Yôga e da criação de uma maior afinidade com os instrutores e professores do método.
É nesta confraternização que os praticantes recebem as suas graduações. Nessa oportunidade, as formalidades são feitas, quando, por exemplo, um aluno ou instrutor aumenta de nível na prática.
Veja como foi a festa de 15 de outubro, com graduação de instrutores.
Sádhaka Eunice Ramirez, recebendo seu pin amarelo.
Sádhaka Adriana M. de Brito.
17/10/2008 Sem comentários
Motivo
Eu canto por que o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
Sou poeta
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
No vento
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico ou passo
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritimada.
E um dia sei que estarei mudo
Mais nada.
Cecília Meireles
16/10/2008 Sem comentários
Tomando as rédeas
Trechos interessantes que li em um post à respeito da crise financeira dos EUA: A crise financeira nos EUA e a domesticação humana.
ESPIRAL PARA CIMA OU PARA BAIXO
Você tem duas opções: ir para baixo ou ir para cima. Ir para baixo é deixar que os outros decidam quando você vai entrar em crise ou quando você vai se divertir, já ir para cima é fazer com que as coisas acontecem e criar crises imensas em todas as áreas da sua vida porque você está querendo fazer somente aquilo que ama. Você tem o poder de decidir ser quem você quer ser e não eu, e não o governo e não o Bush.
…
SÃO NOS MOMENTOS DE CRISES QUE MAIS CRESCEMOS
Da próxima vez que você estiver em crise ou que o seu mundo entrar em colapso, encare isto como uma oportunidade real de crescer, mas reflita bem sobre quem provocou essa crise. Se foi você que mudou de cidade, se foi você que decidiu abrir um negócio e se foi você quem decidiu terminar o casamento, tudo bem. Agora se foi “o mundo”, então prepare-se, pois dessa crise você não saberá sair.
Por Marcos Rezende do blog Insistimento
Bom para refletir sobre as possíveis formas de se encarar uma crise, reagindo ou agindo…
Independentemente do tamanho, ou aparente tamanho de um colapso, sempre existe uma forma mais autônoma de se posicionar.
Tornando-se mais consciente e usando as ferramentas disponíveis no momento, mesmo que escassas; ou usando a crise como desculpa para estagnar ou até mesmo involuir com uma boa justificativa externa.
Questão de escolha… ou melhor, questão de auto-suficiência.
6/10/2008 5 comentários






