“O yôgin que se apaixona pelo código de ética evolui muito rápido”
Ouvi esta frase há algumas semanas, de meu professor de SwáSthya Yôga, Rogério Brant.
Não estava praticando no momento em que ele proferiu estas palavras, mas a seu lado, enquanto ele ministrava uma aula teórica para os alunos que estão fazendo o módulo de aprofundamento na filosofia do Yôga.
Como fiquei feliz por estar ali! … no lugar certo e na hora certa para ouvir estas palavras.
Estou estudando e vivenciando, em sequência, com este grupo, mais uma vez, cada uma das normas éticas do Yôga.
E este estudo mostra-se cada vez mais importante para mim.
Compreendi que será a partir da boa aplicação destes códigos de ética que os efeitos das minhas práticas diárias poderão melhor se manifestar.
Isso porque a sutilização das emoções gerada pela aplicação destes códigos irá preparar o meu organismo, tanto quanto, ou mais, do que a própria observação de uma alimentação compatível com a prática.
Já falei que, para um iniciante, mostra-se urgente a compreensão e aplicação das normas éticas.
Os Yamas e Niyamas desempenham um papel fundamental na preparação do praticante de Yôga para o despertamento da kundaliní. São condição sine qua non para que a prática possa desencadear o trabalho com chakras e nadís.
Bem, as palavras de meu monitor mudaram de vez a forma como vivencio estas regras.
Vou explicar:
Já se passaram algumas semanas desde que ouvi a frase, mas o efeito da expressão “apaixonar-se pelo código de ética” ainda repercute.
Embora já tenha feito estas vivências de forma programada algumas vezes e procurado durante vários anos incorporar cada vez mais os Yamas e Niyamas, desta vez a experiência ocorreu de forma mais fluida. Experimentei fazê-la por uma via diferente. Procurei envolver-me mais com estas regras, permiti-me senti-las mais, ao em vez de apenas querer compreendê-las. Procurei envolver-me mais com o sentido destas indicações.
Observei as vivências, mas desta forma:
- Concentrei-me menos nas tentativas de incorporar as regras.
- Envolvi-me mais com o sentido que as motiva – isso me fez apaixonar-me mais. Isso me fez querer senti-las mais. Me fez querer incorporá-las, realmente, não apenas pela compreensão racional de sua importância, mas pelo forte sentimento gerado por ser capaz de fazê-lo.
Apaixonei-me pelo motivo maior que gera estas regras e este motivo apresenta-se desta forma:
- vivenciar o altruísmo – mas não num sentido ético de altruísmo que tenha a ver com ser bom ou mal, certo ou errado.
- vivenciar o altruísmo no sentido de que o bem-estar do outro reverta no meu próprio bem estar.
Deu certo: a referência ao estado de paixão me fez perceber muitas coisas.
Durante muitas vezes essas palavras fizeram reverberar meus pensamentos, me tirando de um estado normal de atividades e me tornando naturalmente mais receptiva para agir em uma direção mais ética, mais de encontro com o bem-estar do outro, e por consequência do meu bem-estar também.
Não mudei os meus atos instantaneamente por uma via racional, mas emocionada pela força e beleza do sentido investido por estes atos, realizados por uma motivação ética.
Quando estamos apaixonados, envolvidos realmente com alguém, as ações que fazemos para manter e melhorar nossa relação ocorrem naturalmente, sem pensar…e, a todo instante.
Quando se está apaixonado não se medem esforços para estreitar os laços com a pessoa desejada, a ponto destes atos ocorrerem até de forma exagerada.
Nos emocionamos e já não é mais preciso pensar muito em como fazer para aprimorar a relação, porque pelo próprio estado de paixão os atos vão se dando espontaneamente nesse sentido.
Me apaixonei pela idéia de construir uma base sólida emocional e mental gerada a partir da boa relação com o próximo.
É isso que fará toda a diferença.
Se mantiver a constância neste processo, despertando cada vez mais esta paixão, compreendendo mais a impotância de um envolvimento mais ético e puro com tudo aquilo que me rodeia, certamente estarei cada vez mais preparada.
Poderei, a partir daí, sutilizar ainda mais os elementos materiais, por exemplo, a partir de uma alimentação ainda mais regrada. Possibilitando um trabalho mais seguro com relação à própria prática, que poderá ser aprofundada, deixando de ser apenas para reforço da estrutura biológica e podendo, a partir disso, avançar um pouco mais nas questões energéticas.
Faz mais sentido agora: que para a meta do autoconhecimento importa muito mesmo a base ética.
Ela é que permitirá a real purificação, que, unida aos anos a fio de prática constante, permitirão o saudável desenvolvimento dos chakras e despertamento de kundaliní.
Sem a vivência das normas todo esse desenvolvimento será inócuo, fazendo até mesmo com que o yôguin desista, por não perceber resultados na prática. Eles não se manifestarão bem se energeticamente não nos prepararmos.
Não é a toa, que no estudo realizado na aula denominada corpos do homem e planos do universo, faz-se a relação entre as normas éticas do Yôga e o múládhara chakra, que é o centro de energia base. A sede da kundaliní, que estimulada devidamente desencadeará o autoconhecimento, objetivo do Yôga.


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