Entrevista com Professor Rogério Brant na Unidade Alto da XV – Band Verão Esquenta
23/1/2010 Sem comentários
Estas defesas nos protegem?

photo credit: romulo.filipini
“Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça..”
Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros. Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros. Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor. Verdade?
Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos. Amor é ruim? Feio? Dói?
Também evitamos o choro, mesmo quando a vontade é grande. Choro é feio? Dói?
A mulher e o homem apaixonados se encontram.Tem vontade de pegar um na mão do outro, afagar o cabelo, abraçar, olhar nos olhos, puxar o nariz, brincar de faz de conta, manifestar ternura, contentemento, alegria, felicidade. Mas em geral não fazem nada disso.Tolhem os gestos mais espontâneos e ingênuos, que não são feios nem doem. Dariam prazer?
De fato (e INFELIZMENTE) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos. Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas. E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos: – Não estava na hora.
- Ele não é a pessoa certa.
- O lugar não era adequado.
- O que iriam pensar?
- Não devo, não sou dessas.
Verdade que procuramos prazer e evitamos a dor?
Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça. Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou proteção? Toda casca faz do indivíduo um especialista? Ele sempre responde as incertezas do mesmo jeito. Por isso, torna-se muito capaz numa direção, e incapaz na outra.
Alguns exemplos: o desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí. O orgulhoso é especialista em colcar-se acima das coisas, e incapaz de vivê-las. O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível. O sério julga o mundo sério demais e achata a vida. Não sabe rir.
O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa. A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com acúmulo das experiências. O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas.
O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévola.
A eterna vítima é técnica em queixar-se, portanto não se arrisca a viver uma situação agradável. O Don Juan transforma a vida numa caçada à mulher, porém é incapaz de amar alguém.
O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário. Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas….e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros, impossibilitando a visão do arco-iris.
O cavaleiro medieval, armado de imponente armadura, investe contra o índio nu. Casca e não casca. Quem vai ganhar?
Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura. O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista). O índio ganha. Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha.
Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em conseqüência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões.
Voltando aos exemplos, como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal. Todo bicho muito cascudo,tartaruga, besouro, morre quando cai de costas. Seria bom aprender esta lição. A casca oprime, limita e sufoca. Nos torna burro em todas as reações que fogem a nossa especialidade. Nos deixa tenso e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem ralmente vivê-la, como se passa o tempo.
Autor: J.A. Gaiarsa
Couraça Muscular do Caráter (Wilhelm Reich)
Editora Ágora/ Edição 4 / 1984
Texto encaminhado por Thiago Duarte
7/12/2009 2 comentários
Planolândia
Se você recebeu este post por e-mail, clique aqui para ver o vídeo.
Estava há pouco lendo com um aluno o trecho do Tratado de Yôga que explanava sobre a meta do Yôga, samádhi.
Lemos que:
Samádhi é o estado de hiperconsciência, de megalucidez, que proporciona o autoconhecimento, bem como o conhecimento do Universo(…) e que (…)aceite-se, apenas, que o fenômeno é um estado de consciência que está muitas dimensões acima da mente e, por isso, é impossível compreendê-lo com auxílio de mecanismos mentais, lógica ou cultura. Essas ferramentas só serão úteis depois que o fenômeno tiver sido experienciado. para conceituá-lo.
Para compreender um pouco mais o que seriam “planos de consciência acima da mente” é que indico o vídeo acima.
Indico também a leitura do livro Planolândia: Um romance de muitas dimensões.
3/12/2009 1 comentário
Mas que sentimento afinal embasa a relação entre mestre e discípulo
“Amai, amai, todo o resto não é nada.”
La Fontaine (Os Amores de Psique e de Cupido)
Vejamos como se constituem os laços entre o mestre e o discípulo.
Estudemos com atenção por quais sentimentos essa relação se fundamenta, para posteriormente tirarmos as consequências disso.
Utilizarei como ilustração um capítulo do livro Eu Me Lembro…
Escolhi esse trecho porque poeticamente nos transporta fazendo-nos compreender o tema abordado não apenas intelectualmente, mas envolvendo-nos de todo o coração.
O Velho Sábio
Certa manhã, fui tirar leite de nossa búfala, que pastava solta perto das margens do rio. Caminhando pelo campo com os pés descalços na relva molhada pelo orvalho da noite, tão absorvido estava que passei pelo animal e segui em frente. Pouco adiante, encontrei um velho sábio, sentado olhando para as águas que seguiam montanha abaixo. Cumprimentei-o e perguntei o que estava observando. O ancião me disse que estava observando seus pensamentos. Sentei ao seu lado e, como uma criança, sem nada questionar comecei a fazer o mesmo. Passaram-se várias horas e lá estávamos os dois, lado a lado, sem dizer palavra. Porém, entendendo-nos perfeitamente bem.
Até que, em dado momento, o ancião virou-se para mim e começou a falar.
- O que você observou?
- Meus pensamentos.
- Gostou?
- Sim.
- De que natureza eram?
- De todos os tipos. Pensei nas águas, obedientes, que seguem fazendo as ondas no mesmo lugar, apesar de serem sempre outras. Depois, pensei na nossa vida, que também é assim. Somo sempre outras e outras pessoas a nascer, crescer, trabalhar, casar… mas seguimos fazendo as mesmas coisas sem que ninguém nos obrigue a isso. Daí pensei nas nossas ovelhas, cabras e vacas, que também seguem fazendo as mesas coisas desde que nascem, até que morrem. E seus descendentes continuam fazendo as mesmas coisas. Qual o sentido de tudo isso?
- Você se fez essa pergunta?
- Fiz.
- E qual foi a resposta?
- Não obtive resposta, pois meu pensamento seguiu os pássaros e mudou continuamente. Mas gostei da experiência.
- Então volte amanhã e vamos contemplar o rio juntos outra vez.
Assim o fiz. Durante muito tempo retornei e sentei-me ao lado do ancião. Era uma relação de amor. Desde a primeira vez que o vi, senti um carinho arrebatador por aquele mestre. Olhava-o com admiração gratuita, pois ainda não o conhecia suficientemente bem. Não sabia o universo de sapiência que ele tinha para me transmitir. Era simplesmente amor, desinteressado, a primeira vista.
Quase sempre ficávamos calados por muito tempo. Geralmente, no final, ele fazia algumas perguntas. Depois de uns quantos meses, notei que suas perguntas era o que me permitia tomar consciência de quão profundo havia ido na viagem interior.
Vê-se claramente nesta passagem a identificação sincera do discípulo e a naturalidade com que se estabelece do discípulo em direção ao mestre uma admiração, uma vontade de ser como ele.
É realmente como no caso de uma criança que isso se dá, puramente, sem preconceitos, aceitando a ignorância que se mostra no contato com essa outra pessoa.
Reconhece-se que, diante de si há alguém dotado de um saber digno de atenção que se pretende conquistar.
É por meio da consciência desse profundo saber e, no fim das contas, por respeito sincero que o discípulo não questiona. Ele espera, confia.
Pode-se dizer que esta relação é completamente livre. E que é livre porque se funda completamente em amor. Amor do discípulo que se reconhece no mestre e o ama desinteressadamente e, do mestre que, por amor, aceita o discípulo sincero para guiá-lo. Apresenta-se aqui uma relação sem mediação, direta, pura, que revela a ambos na contemplação do agora.
“L’amour est la seule passion qui ne souffre mi passe ni avenir”
“O amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro”
Não há uma obrigação a priori constituída para ambos, ditada, por exemplo por um estado, por uma religião, por um dever moral ou costume…
Nenhum outro homem ditou ou estabeleceu que essa relação deveria existir.
Ela nasceu apenas daqueles dois, como uma amizade, não porque deveria acontecer por algum motivo, por algo vindo de fora, mas simplesmente porque podia acontecer. E porque ambos, mestre e discípulo, movidos por sua própria vontade assim quiseram.
Esta é uma relação que não envolve servidão de nenhuma parte, mas uma parceria fundada puramente no amor e na liberdade. Esta parceria pode aparecer bem descrita da seguinte forma.
Amar não é olhar-se um ao outro, é olhar juntos na mesma direção.
Saint-Exupéry.
Não há aqui uma relação de dependência, mas uma consonância entre ambos e a decisão de seguir juntos, em uma única direção.
30/11/2009 2 comentários
Quer ganhar um DVD da Prática Básica de Yôga?
É bem fácil!
Deixe um comentário no blog: Yôga em Movimento, que comemora a postagem de seu vídeo número 200!
Vale a pena conferir este blog!
Lá você encontra vídeos de:
- coreografias
- mantras
- entrevistas
O sorteio será dia 16 de setembro.
10/9/2009 Sem comentários
Três histórias sobre hábitos alimentares
São três textos sobre vegetarianismo que selecionei por terem sido escritos por amigos meus.
Divertidos por serem fruto de experiências particulares de cada um deles.
2/9/2009 1 comentário
Evento: Matando um Leão por Dia
Participei neste final de semana do Evento:
É um evento administrativo anual em que os instrutores do Método DeRose de diversos estados e países se reunem para trocar experiências referentes à profissão .
Já postei anteriormente sobre o tema: A possibilidade de unir ao trabalho satisfação, realizacão e alegria.
Ao ver as fotos deste evento fica evidente que sim.
Mais do que meros colegas de trabalho, nós, os instrutores do Método DeRose, somos uma grande família e compartilhamos de um mesmo ideal de vida.
29/7/2009 1 comentário
Campanha do Agasalho 2009

Estamos, mais uma vez, participando como parceiros da Campanha do Agasalho.
Tivemos este ano, a oportunidade de divulgar a iniciativa na televisão. A entrevista está no Blog do DeRose.
Se dispuser de alguns agasalhos que possa doar à campanha, aviso que estamos recebendo na Unidade Alto da XV.
Os agasalhos poderão também ser encaminhados à nossa Sede Central, na Alameda Jaú, 2000 ou a qualquer outra das nossas escolas.
Informações podem ser obtidas pelo telefone 3081-9821
Para saber mais sobre o projeto no Paraná leia o comentário postado pelo vice-presidente da Federação de Yôga no PR, no Blog do DeRose:
24/6/2009 Sem comentários
Viparita ashtánga sádhana com DeRose
A foto acima foi tirada no fim de semana passado, após o viparita ashtánga sádhana para instrutores, ministrado por DeRose.
Acabei de encontrá-la no blog da instrutora Priscila Ramos.
Foi uma prática poderosa, com cerca de duas horas de duração. Aconteceu no hotel Renaissance, em São Paulo.
Fiquei muito feliz por ter participado.
Junto comigo estavam a instrutora Ana Lúcia Fior e os instrutores Tiago Demeneck e Ticiano Machado, integrantes da equipe da unidade Alto da XV.
Veja mais fotos no blog Yôgapress: agência internacional de noticias do Yôga.
Estava agora lembrando de como foi bom…e resolvi compartilhar…
20/6/2009 Sem comentários
Qualidade de Vida
by castielli
Post original do Blog do DeRose:
Nossa Definição de Qualidade de Vida:
Síntese: Qualidade de vida é tornar sua existência descomplicada, é fazer o que lhe dá prazer, com alegria, saúde e bem-estar.
Fundamentação, elaborada a partir do texto que o praticante Maurício Waly de Paulo postou como comentário em nosso blog. Ficou assim depois de fazermos alguns ajustes:
Qualidade de vida é suprir as necessidades fisiológicas e ergonômicas, é adotarmos hábitos que promovam e mantenham a funcionalidade do corpo, do emocional e do mental, é o aprimoramento e desenvolvimento das nossas habilidades, através da boa alimentação, boa forma e boa cabeça – isto é Yôga.
Qualidade de vida é relacionar-se de forma descontraída, ética e responsável com o meio ambiente e o meio sócio-cultural, procurando compartilhar e interagir, agregando sempre generosidade, elegância, respeito e carinho aos nossos relacionamentos, mediante da adoção de um conjunto de valores que incluem boa cultura, boa civilidade e boa educação – isto é Tantra.
Qualidade de vida é adotar uma visão de mundo que nos motive a buscar o desenvolvimento e o aprimoramento contínuo, conquistando a nossa excelência através do estudo, ideais e autoconhecimento – isto é Sámkhya.
Conclusão: qualidade de vida resume-se na proposta de um Yôga de fundamentação Tantra e Sámkhya, isto é, o Yôga Pré-Clássico – SwáSthya Yôga.
Valeu Maurício!!!!!
19/6/2009 1 comentário




