Pújá – Uma Prática Universal
Dentre os inúmeros aspectos possíveis de serem trabalhados em uma prática de Yôga existe um que me agrada especialmente.
O nome desta técnica que considero especial é pújá.
Pújá é o que chamamos na prática de retribuição ética de energia.
Basicamente, é a atitude de agradecer antes de receber.
Por definição:
Pújá é um comportamento universal de gratidão, reverência e lealdade que manifesta-se através de pensamentos, palavras, gestos e obras. (Santos, S, A força da Gratidão (Pújá), Nobel)
Este agradecimento prévio encontra-se presente não só no Yôga, mas em outras atividades, principalmente aquelas vindas do oriente como é o caso, por exemplo, de algumas artes marciais.
No Aikido, de raízes japonesas, por exemplo, existem as reverências prévias, desta forma:
Na entrada do dojo: Ao entrar ou sair da sala ou área de prática, você para, junta os pés e faz uma reverência em direção ao local de prática.
Isso pode ser entendido como uma prece ao dojo onde você irá praticar bem e com energia, mas também, mais mundanamente falando, como uma questão de bom senso.
Ao fazer uma parada antes de entrar na área de prática o praticante atento impede que qualquer desavisado o atinja na cabeça por algum objeto afiado.
Reverência ao Shomen: no início e fim de cada aula dirigida ao ponto mais alto da sala, ou em direção a uma fotografia ou texto.
Momento em que o aluno pode refletir sobre a história de sua arte expressando gratidão ao fundador e mestres anteriores.
A reverência ao Shomem também serve para lembrar onde ele fica, assim o praticante saberá como se mover no dojo.
Reverência ao Sensei: reverência formal ao instrutor, que deve ser feita cuidadosamente e com completa atenção.
É a chance de demonstrar gratidão pela paciência e pela habilidade do Sensei.
Demonstra o desejo de aprender e o pedido para receber suas instruções.
Há ainda a reverência ao parceiro.
No caso do Yôga o Pújá é feito nesta ordem:
- Ao local da prática
- Ao instrutor
- Ao Mestre vivo mais antigo da linhagem
- Ao primeiro dos yôgins.
Habitualmente, durante a prática, o pújá é feito através de mentalizações.
O interessante é que aquele que realmente pratica o pújá, predispõe-se à aprendizagem e amplia as fronteiras de sua experiência para assimilar a essência do Yôga, ainda que nada lhe seja ensinado.
De acordo, mais uma vez, com o Mestre Sérgio Santos:
É preciso desenvolver o siddhi do aprendizado, pois a evolução interior depende muito mais do receptor do que do transmissor.
(…)
Pújá também significa identificar-se, sintonizar-se com o Mestre. Isso permite a germinação daquilo que já se encontra no aprendiz. Diz a máxima: todo discípulo leal é um Mestre em potencial. Portanto, o conhecimento é uma fonte inesgotável, diretamente proporcional à receptividade e à gratidão do discípulo.
Referência sobre Aikido: Hikari Dojo-RJ

4 comentários
Estou gostando de ver… um por dia! Nesse ritmo, em um ano serão 365 posts!
Beijos! Amo!
[...] Leia Pújá – Uma Prática Universal [...]
[...] O primeiro post que escrevi, há um tempo atrás, quando iniciei este blog, foi sobre Pújá: Pújá – Uma prática universal [...]
[...] bom demais. Já cedo, tenho a oportunidade de realizar ao mesmo tempo: treinamento de pratyáhára, púja, o reforço das minhas metas a partir de mentalizações, um treinamento de vizualização e por [...]
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