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Tapas: esforce-se! Mas sem forçar…

Tapas é um dos preceitos éticos do Yôga, um dos yamas e niyamas, sobre os quais já falei anteriormente.

É importante ser destacado, pois é o preceito que, de certa forma, dá base de sustentação para todos os demais.

Tapas é a observância da auto-superação. É um esforço constante sobre si mesmo. Trabalhado para que se torne um hábito.

Deve ser  treinado no sentido mais abrangente possível, como um aprimoramento realizado a todo o tempo, em todas as áreas que se mostrarem passíveis de serem melhoradas.

De acordo com o Tratado de Yôga:

  • A oitava norma ética do Yôga é tapas, auto-superação.
  • O yôgin deve observar constante esforço sobre si mesmo em todos os momentos.
  • Esse esforço de auto-superação consiste numa atenção constante no sentido de fazer-se melhor a cada dia e aplica-se a todas as circunstâncias.
  • O cultivo da humildade e o da polidez constituem demonstração de tapas.
  • Manter a disciplina da prática diária de Yôga é uma manifestação desta norma. Preservar-se de uma alimentação incompatível com o Yôga faz parte do tapas.
  • Conter o impulso de expressar comentários maldosos sobre terceiros também é compreendido como correta interpretação desta observância.
  • A seriedade de não mesclar com o Yôga sistemas, artes ou filosofias que o conhecimento do seu Mestre desaconselhar, é tapas.
  • A austeridades de manter fidelidade e lealdade ao seu Mestre constitui a mais nobre expressão de tapas.
  • Tapas é, ainda, a disciplina que respalda o cumprimento das demais normas éticas.

Preceito Moderador:

A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de mortificação.

(Tratado de Yôga, DeRose, Nobel, 1ªed, pg. 801)

A frase que usei no título: esforce-se, mas sem forçar, é na realidade uma regra geral do método, utilizada na execução das técnicas corporais.

No entanto, achei por bem utilizá-la de forma mais abrangente, já que tem perfeita afinidade com a vivência de tapas regrada pelo seu preceito moderador.

Leia mais uma vez:

A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de mortificação.

Seja em qual for o sentido do seu esforço, jamais se agrida, jamais se machuque.

Seja a superação de ordem física, emocional ou mental, não force o progresso.

O SwáSthya Yôga tem como raiz comportamental o Tantra.

Isso quer dizer que o tipo de Yôga que praticamos valoriza a desrepressão e o prazer.

A atitude de machucar-se para conseguir evolução chocar-se-ia com os fundamentos desta filosofia.

Para obter sucesso ao aplicar a vivência de tapas comece com coisas simples.

No treinamento de ásanas, por exemplo: utilize a regra de 1 segundo por dia, mas faça o treinamento todos os dias.

A superação não será o 1 segundo a mais e sim a disciplina de fazer todos os dias e apenas mais um segundo, mesmo podendo mais…

Em kriyá, no caso do nauli, uma única contração a mais por prática, mas em todas as práticas uma a mais.

Sem dizer a aplicação de tapas na observação de simples comportamentos, com o objetivo de modificá-los: habituando-se por exemplo a sorrir imediatamente ao acordar.

Você estará gerando um hábito positivo que irá influenciar os pensamentos que surgirem a seguir… simples assim, mas com constância.

A sensação de progredir, sem falhar, em uma coisa simples que seja, irá motivar o progresso, querendo sempre mais.

Esse sucesso irá permitir vivências um pouco mais desafiadoras.

E, estas, sendo também bem sucedidas, possibilitarão vivências mais e mais desafiadoras.

Tendo sucesso, em uma etapa por vez , progressivamente, inevitavelmente sentirá que será capaz de atingir vivências mais relevantes de comportamento.

No entanto, tapas não será feito pelos resultados das ações que gera, mas pelo simples reforço do caráter, pela auto-superação em si.

Uma vivência bem sucedida após a outra, sem qualquer tipo de agressão já motivará a incorporação de tapas  como hábito, pelo prazer de se desenvolver apenas.

E porque isso é bom… porque dá prazer…

Leia também:

  • Ahimsá: Não-agressão
  • Regra de 1 segundo por dia
  • Ética na tradição do Yôga
  • 2 comentários

    1 Regra de 1 segundo por dia — Júlia Rodrigues { 4/10/2008 às 1:33 pm }

    [...] post: Tapas: esforce-se! Mas sem forçar…, mencionei a regra de 1 segundo por [...]

    2 Ahimsá: Não-agressão | Tudo sobre Yôga em Curitiba { 13/12/2008 às 7:50 pm }

    [...] Num outro post, explanei sobre uma das regras do segundo grupo, para ser observada portanto, Tapas: esforce-se, mas sem forçar. [...]

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